Carnaval 2011: bloco brega leva centenas às ruas do Rio

Se o exagero é o pai do brega, o carnaval pode ser considerado um parente muito próximo. É o que mostrou hoje o bloco carnavalesco "Fogo e Paixão", que ensaiou seus primeiros acordes no carnaval carioca de 2011 ao som dos maiores clássicos da cafonice na música popular brasileira. Em meio à harmonia "jeca-chic" de letras como "Chorando se Foi", do grupo de lambada Kaoma, e "Escancarando de vez", de Elimar Santos, centenas de foliões cantaram junto com a bateria do novo bloco do Rio de Janeiro, que conseguiu misturar em seu repertório o amor às canções bregas ao batuque carnavalesco.

ALESSANDRA SARAIVA, Agência Estado

27 de fevereiro de 2011 | 16h08

Nem o calor de quase 40 graus afastou os foliões, que desde 9h já aguardavam o bloco no Largo de São Francisco de Paula, no centro. Palco histórico de sóbrias manifestações pela República e pela abolição da escravatura, o Largo foi ocupado por pessoas fantasiadas de perucas, macacões, coletes e paetês. Um carro de som decorado com frases de para-choque de caminhão e fotos de Roberto Carlos e Fagner já estava no local, em contraste com a séria estátua de José Bonifácio de Andrada e Silva, considerado Patriarca da Independência, bem no centro do Largo.

"Já começamos o bloco com 80 integrantes", afirmou o empresário Alexandre Morand, um dos organizadores do "Fogo e Paixão". Ele explicou que o bloco nasceu do amor por músicas brega de integrantes de três blocos já conhecidos no Rio: Bangalafumenga, Quizomba e Monobloco. O nome do novo bloco é em homenagem a um dos maiores sucessos do cantor Wando. "Ensaiamos por dois meses. O mais difícil foi cortar músicas. Todo mundo lembrava de mais alguma para tocar", afirmou.

Vestindo um colete de paetês dourados, o economista Guilherme Skinner, outro dos organizadores do bloco, ficou animado com a receptividade do público. "Não imaginava tanto sucesso", disse. Ele explicou que o amor pela breguice começou em uma mesa de bar na Lapa. "No início da noite, a gente sempre começava cantando Chico Buarque, quando ainda estava sóbrio. Mas quando já estava todo mundo bêbado, era a hora de Wando, de Fagner", disse, rindo.

A estreia do bloco foi anunciada via internet, pela rede de microblogs Twitter e pela rede social Facebook, e o boca-a-boca fez o resto, segundo a advogada Daniela Hang. "Não tem como não gostar de brega. Eu amo o Ritchie", afirmou, por trás de grandes óculos com armação branca, colar de pérolas falsas e meia arrastão.

Problemas no som chegaram a desanimar alguns foliões. Mas quando o bloco iniciou os primeiros acordes de "Fogo e Paixão" os amantes do brega voltaram a se empolgar, Calcinhas e cuecas foram atiradas em direção ao carro de som.

MPB e marchinhas

O "Fogo e Paixão" não foi o único bloco que deixou de lado as marchinhas e os sambas para animar os foliões. O Bloco da Preta, comandado pela cantora Preta Gil, em Ipanema, na zona sul, passeou pelo pop e pela MPB em suas canções ao desfilar pela orla, também na manhã de hoje.

Para os tradicionais amantes de marchinhas, o domingo de pré-carnaval no Rio de Janeiro contou com outras opções. Entre elas estava o tradicional bloco Sovaco do Cristo, que optou pelo samba ao agitar os ânimos dos milhares de foliões no Jardim Botânico, zona sul; e o Escravos da Mauá, que também foi acompanhado por centenas de foliões pelo centro da cidade, saindo da Praça Mauá.

Tudo o que sabemos sobre:
Carnaval 2011blocobregaRio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.