Carnaval em março reduz vigor da indústria paulista

A ocorrência do Carnaval em março tirou vigor da indústria paulista no mês passado ao reduzir o número de dias úteis, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

28 Abril 2011 | 14h00

Ao informar o modesto crescimento da indústria paulista no mês passado, a Fiesp avaliou ainda ser difícil prever como será o desempenho do setor em 2011, diante dos desafios impostos ao segmento diante do aumento das importações em meio à queda do dólar.

"Sabemos que a indústria de transformação não está com aquele brilho todo", afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Estudos Econômicos (Depecon) da entidade.

Em março, o Indicador de Nível de Atividade (INA) cresceu 0,2 por cento sobre fevereiro, segundo dados com ajuste sazonal. Sem ajuste, o INA subiu 7 por cento no mês passado contra o anterior. Em relação a março de 2010, o indicador avançou 1,3 por cento.

No primeiro trimestre, a atividade industrial teve alta de 4,4 por cento em relação a igual período do ano passado.

"O evento Carnaval é relativamente importante em função dos dias a menos que ele promove para o mês em que acontece. Quando você vai dessazonalizar fica complicado, porque você compara com meses que habitualmente não tem Carnaval, e isso interferiu em março", comentou Francini.

O Carnaval neste ano foi comemorado no início do mês passado, o que não ocorria desde 2003, segundo Francini.

SETORES, NUCI E SENSOR

Entre os setores, os destaques de alta ficaram com Máquinas e equipamentos, com avanço de 3,6 por cento em março sobre fevereiro com ajuste, e Artigos de borracha e plástico, com elevação de 0,6 por cento.

No primeiro caso, o diretor da Fiesp atribuiu o bom desempenho ao aumento nos estoques de fornecimento oriundos do PSI, programa do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiamento à produção e à aquisição de máquinas e equipamentos novos.

Com relação a Artigos de borracha e plástico, Francini afirmou que o crescimento foi motivado pela boa performance da indústria de pneumáticos em meio à recuperação no setor de caminhões.

O nível de utilização da capacidade instalada na indústria ficou em 83,2 por cento no mês passado com ajuste sazonal, leve queda ante os 83,6 por cento em fevereiro. Em março de 2010, o uso era de 80,8 por cento.

Outra pesquisa da Fiesp, o Sensor, que visa medir o humor do empresário no mês corrente, mostrou uma piora no otimismo.

O indicador caiu para 54,9 em abril, frente a 56,9 em março. Apesar da queda, o dado segue acima da linha de 50, que separa o otimismo do pessimismo.

"O Sensor não nos traz grandes mudanças. Eu diria que está se aquietando na sua forma mais ampla... Ainda não dá para definir uma tendência."

(Edição de Vanessa Stelzer)

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