Carreira de técnico de futebol é pura sorte, diz estudo

Estudo realizado por cientistas da Universidade de Cambridge mostra que a duração do contrato de um técnico com um time de futebol depende muito mais da sorte do que da qualidade tática ou administrativa do trabalho. O estudo, interdisciplinar, envolveu a faculdade de Economia e o Instituto de Astronomia de Cambridge, além de especialistas de Cingapura. O objetivo inicial do trabalho era investigar como altos executivos conseguem e mantêm seus empregos, mas, no final, foi mais fácil conseguir informações sobre o histórico de clubes de futebol que do comando de grandes corporações. Os pesquisadores avaliaram a duração no cargo de técnicos na Inglaterra, Suíça, França, Espanha, Alemanha e Japão, bem como no futebol americano e no beisebol. Os dados cobriram 7.183 indivíduos em 130 anos. Uma constatação foi de que a chance de um técnico se manter no emprego em sucessivas temporadas segue uma lei de potência inversa - quanto mais tempo ele tiver de casa, maior a chance de acabar demitido.O estudo determinou que talento, esforço e capacidade têm muito pouco a ver com a permanência do técnico no cargo: mesmo os jogadores mais bem escalados podem se contundir na primeira partida da temporada por puro azar.A teoria criada pelos cientistas a partir dos dados levantados sustenta que é a taxa de vitórias e derrotas que determina um índice de reputação, e que esse índice define a duração do "mandato" do técnico. Cada técnico ganha reputação com vitórias e perde com derrotas. Essa teoria é baseada num modelo de computador de sistemas complexos: o exame de eventos em larga escala para ver se surgem padrões a partir das ocorrências mais microscópicas.A característica mais surpreendente da teoria é que ela é capaz de explicar os fatos conhecidos sobre a duração do emprego dos técnicos apelando apenas para fatores controlados pelo acaso, sem invocar questões de talento ou competência.Os cientistas alertam, no entanto, que o modelo é estatístico, e não pode ser usado para explicar a carreira de um único indivíduo. Ele poderia, porém, prever a chance de um técnico acabar demitido no futuro.

Agencia Estado,

12 de julho de 2006 | 14h22

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