Carro digital conectado à web pode revolucionar indústria

Se você acha que a vida anda conectada demais à internet, prepare-se que o novo capítulo dessa história tende a tornar o ambiente online ainda mais presente. Tanto a indústria da tecnologia quando a automobilística vêm apostando forte no carro como a nova fronteira da conectividade.

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2012 | 03h09

Já são conhecidos os aparelhos de som para carros que tocam músicas do celular via Bluetooth ou têm entrada para iPod. Mas o "carro conectado", que deve se consolidar nos próximos cinco anos, vai muito além.

São carros que permitem ao motorista interagir no Facebook ou Twitter por meio de comandos de voz. O automóvel conectado também é feito de navegadores de bordo que indicam restaurantes e mostram o melhor caminho para chegar lá. De aplicativos que mandam e-mail, SMS e fazem chamadas do seu celular. De painéis que exibem informações atualizadas de trânsito e meteorologia. De carros que funcionam como pontos de Wi-Fi para que passageiros possam estar online. Já existe até tecnologia que faz reparos a distância no software automotivo.

No início do ano, a revista Technology Review, publicação de tendências do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), cravou: "As indústrias automotivas e de transporte estão entrando na fase que verá a mais significativa inovação tecnológica desde a popularização dos automóveis pessoais há cem anos."

O vice-presidente da Ford Brasil, Rogelio Golfarb, não vê exagero na declaração. "Não há comparação entre os ritmos de inovação dos smartphones e dos carros, por mais que os automóveis tenham avançado em coisas como design e estabilidade. Hoje, toda essa inovação em tecnologia e comunicação está indo para o carro." A Ford é uma das empresas automobilísticas que saiu na frente. Foi a única montadora com estande próprio no Mobile World Congress, em Barcelona. Na ocasião, um representante da empresa demonstrou para o Link sua central de bordo Sync.

O Sync foi lançado nos EUA em 2007, em parceria com a Microsoft. Oferece recursos de entretenimento (como canais de música) e comunicação (chamadas de celular com comando de voz). Depois de cinco anos disponível apenas nos EUA, a empresa anunciou seu lançamento este ano em outros países e línguas. O Brasil está no barco: o produto virá nos carros Ecosport, Fiesta Hatch, Fusion e Edge.

Na Consumer Electronics Show realizada no começo do ano, em Las Vegas, o carro conectado foi um dos pontos de maior interesse. Entre os produtos exibidos, estava o Mbrace2, plataforma da Mercedes-Benz lançada este ano. Uma diferença fundamental entre esse sistema e o da Ford é que ele próprio é um ponto de conexão à rede, dispensando o auxílio do celular. O MBrace2 também está mais aberto a aplicativos de terceiros, com alguns velhos conhecidos como Facebook, Yelp e Google.

Outras marcas que já têm sistemas conectados incluem Audi/Volkswagen, Acura, Honda, Subaru, Hyundai, Kia e Toyota. O desafio é oferecer mais recursos sem comprometer a segurança ou trazer distrações para o motorista. Por isso, apesar de a tela de toque ser uma característica comum a todos os sistemas, a operação é acionada por controles no volante ou comandos de voz.

Muitos creem que o carro conectado pode transformar nossa relação com o veículo. De meio de transporte, ele será uma extensão do escritório ou da casa. De máquina mecânica a "dispositivo móvel ideal".

A definição vem de Thilo Koslowski, do departamento de prática automotiva da consultoria Gartner. Para ele, a questão se trata de "estender o estilo de vida digital para o veículo". E, como as cidades têm dificuldade para eliminar os congestionamentos, o carro conectado ajuda a preencher o tempo parado.

Brian David Johnson, futurista da Intel, compartilha de toda a empolgação. Mas lembra que ela precisa vir acompanhada de praticidade: "Nossa maior meta nos próximos cinco anos será pensar em como podemos usar a tecnologia em prol da segurança, da eficiência e da conectividade."

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