Cartas

Maracujá, biguá, acerola e pomares são os assuntos das cartas desta semana

Da Redação, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2009 | 02h37

. Várias causas fazem murchar o maracujáMoro em um sítio e, entre outras frutas, tenho dois pés de maracujá doce. Há algum tempo alguns frutos estão murchando, ainda verdes. Notei que isso ocorre com mais frequência no maracujá doce. Queria saber o que está acontecendo e o que devo fazer. Será que é melhor ensacá-los? Se sim, quando é a época certa?   Silvia BolívarIndaiatuba (SP)A pesquisadora Laura Maria Molina Meletti, do Instituto Agronômico (IAC-Apta), de Campinas (SP), diz que, primeiramente, a leitora deve certificar-se da causa do murchamento. Segundo ela, vários problemas podem estar ocorrendo. Para identificar, pegue um fruto murcho que caiu verde e abra-o ao meio. Se estiver vazio, sem sementes, é falta de polinização. Então, é preciso fazer o cruzamento manual entre flores de plantas diferentes. Troque pólen entre as flores das duas plantas para obter pegamento. Mas ela alerta que, caso as duas plantas tenham se originado de um único fruto, são plantas irmãs e por isso não vão cruzar entre si. "Aí é preciso substituir uma delas por um indivíduo diferente do primeiro", explica. Caso o fruto contenha sementes inteiras e brancas em seu interior, é sinal de que a polinização está sendo adequadamente realizada. Neste caso, o fruto pode ter sido picado por percevejos quando estava ainda em formação. "Esses insetos sugam os botões e os frutinhos novos, que murcham, permanecem na planta por algum tempo e depois caem." Em início de infestação, é possível controlar os percevejos com métodos culturais, mantendo o mato roçado perto das plantas, eliminando plantas daninhas hospedeiras, como o melão-de-são-caetano ou pés de milho secando nas proximidades. A palhada amarela atrai esses insetos em grande quantidade. O percevejo é atraído também pela coloração alaranjada das flores de plantas silvestres trepadeiras, comuns em cercas. Em seguida, é preciso coletar os frutos caídos no chão e enterrá-los. Mas se a leitora abrir um fruto murcho, caído no chão, e encontrar sementes roídas, atacadas por lagartinhas de coloração creme, e o fruto estiver podre, trata-se de ataque de moscas-das-frutas, que devem ser combatidas em início de infestação por catação manual e enterrio de frutos murchos caídos. "Isso vale para outras frutas maduras, como goiabas, mangas, laranjas, carambolas, pêssegos, nectarinas, etc." Esta medida deverá ser feita em todas essas frutíferas simultaneamente para ter um resultado efetivo. Quando não houver mais frutas podres pelo chão, de nenhuma espécie, caso ainda permaneça a queda de frutos afetados pela mosca-das-frutas, deve-se adotar o controle químico, com iscas atrativas colocadas em frascos caça-moscas, preparadas com uma mistura de meio quilo de açúcar cristal e um inseticida fosforado, diluídos em 10 litros de água. "Pode ser utilizado também como atrativo 5 litros de garapa diluída em 5 litros de água ou suco da fruta madura. Depois é só pendurar os frascos nas linhas externas do pomar, inicialmente, ou em todo ele, em casos de ataque severo. A mistura fermenta e perde seu efeito, por isso deve ser trocada periodicamente." E-mail: lmmm@iac.sp.gov.br.   Biguás do Rio quase não têm predadoresNo Pantanal Sul-Mato-Grossense conheci a rotina desse mergulhador e caçador de peixes que é o biguá, que achei que só mergulhasse em água doce. Hoje, porém, trabalhando na Ilha do Governador, no Rio, observo que a ave, provavelmente banida de seu hábitat, "mora" nas árvores que rodeiam a Ilha. São milhares delas. O problema é que as fezes desses animais, ácidas e fedorentas, secam as árvores, provocando desbarrancamentos. Há predador para o biguá? Ele é protegido por lei? Como afugentar a praga? José Alvaro da Costa Donatofidelispjr@gmail.com"Os biguás alimentam-se de peixes e não são exclusivos de ambientes de água doce e, ao contrário do que se pensa, habitam naturalmente a Baía de Guanabara e não estão restritos à Ilha do Governador", diz a analista ambiental Valéria Penna Firme, da Superintendência do Ibama no Rio de Janeiro. Segundo Valéria, os biguás formam bandos grandes e utilizam árvores maiores como ninhais.   "Hoje, aparecem em maior evidência na Ilha do Governador porque colonizam as árvores plantadas próximas à Baía, já que o desmatamento e a degradação ambiental do entorno da baía acabou com as árvores grandes", explica. De fato, diz Valéria, os dejetos desses animais, em grande volume, chegam a matar a árvore utilizada como ninhal, mas isso, num ambiente equilibrado, ocorre naturalmente. "Quando a árvore colonizada seca, os biguás passam para outra e aquelas que secaram servem de ninho para outras espécies, como araras e pica-paus. Hoje, porém, só restou no local o biguá, que se alimenta de peixes pequenos, e a garça, que se alimenta de detritos."   De acordo com Valéria, o desmatamento da região provocou a extinção de predadores e competidores naturais do biguá. "Predadores naturais, como gatos-do-mato e gaviões, foram quase eliminados; competidores por alimento, como botos, também tiveram suas populações reduzidas pela degradação ambiental e pesca predatória", afirma. "Mas não se pode dizer que a espécie encontra-se em descontrole ou que se tornou praga, pois ela sempre ocorreu na região em grande número.   O caso relatado é resultado da degradação ambiental." Valéria informa que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está realizando um censo das aves da Baía de Guanabara que trará respostas mais concretas sobre o assunto. "De qualquer forma, a preocupação do leitor serve de alerta para a urgência de recompor a área natural do entorno e de promover a despoluição da Baía de Guanabara." Tel. (0--21) 3077-4282.   O que provoca o mofo branco na acerolaTenho um pé de acerola que dá muitos frutos, mas, ultimamente, tenho notado que os ramos estão cobertos por mofo e as folhas estão oleosas - o óleo chega a escorrer até os frutos. Posso consumir os frutos normalmente? Eles não estão comprometidos?   José Carlos PimentaSão Paulo (SP)Bem lavados, não há problema, conforme o pesquisador do IAC-Apta Edvan Alves Chagas, e o professor da Unioeste-PR, Rafael Pio. Segundo eles, os ramos estão com mofo branco, provocado, provavelmente, por cochonilhas, "que se alojam nos ramos e sugam sua seiva". O controle é feito com óleo mineral e inseticida recomendado para a cultura. Em relação à oleosidade, pode ser aspecto inerente à própria folha ou resultado da interação entre o ataque de pulgões e a colonização de formigas que atacam as folhas para sugarem a seiva excretada pelos pulgões. "O controle é feito com inseticida recomendado para a cultura." IAC, tel. (0--11) 4582-7284.   Associação promove passeio em pomaresGostaria de saber como fazer parte do grupo de visitas aos pomares de Pilar do Sul (SP), conforme reportagem da edição de 7 de janeiro.   Modesto StamaSão Paulo (SP)A Associação dos Produtores de Caqui (APPC) é responsável pela formação e organização dos grupos de visitantes. Só depois de formados os grupos é que a associação entra em contato com as agências habilitadas para prestarem o serviço e negociam o pacote. Os interessados devem entrar em contato com Fábio, na APPC, pelo tel. (0--15) 3278-3589. Devido ao grande número de interessados no passeio, a associação está programando novos grupos para visitas nos dias 14 e 15 de março.

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