Cartas

Como formar mudas de eucalipto

O Estado de S.Paulo

08 Julho 2009 | 03h37

Tentei fazer mudas de eucalipto e não consegui. Colhi as frutas e as sementes, plantei e não nasceram. Gostaria de saber como fazer mudas desta espécie, pois a considero uma árvore muito bonita.

Elisa Anze

elisaanze@bancobbm.com.br

De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas Ivar Wendling, da área de Silvicultura Clonal e Propagação de Plantas, em relação a sementes de eucalipto, é preciso esclarecer que o que às vezes achamos que é a semente é, na realidade, palha ou impureza que acompanha a semente. "Para evitar esse tipo de confusão e, consequentemente, problemas na germinação, é mais recomendado comprar sementes de empresas ou instituições especializadas no assunto. Dessa forma, a leitora terá a certeza de uma boa germinação", diz o pesquisador. Segundo ele, outra causa da não germinação do eucalipto pode ser a colocação de muita terra ou substrato em cima da semente. Como a semente de eucalipto é muito pequena, explica, a camada de terra ou de substrato deve ser bem fina, de preferência até com material mais leve, como a vermiculita (mineral para sementeira encontrado pronto em lojas de jardinagem). Embrapa Florestas, tel. (0--41) 3675-5600.

linkOnde comprar mudas de aveloz

Gostaria de saber onde posso encontrar mudas de uma planta conhecida como aveloz.

Tadao Shigeoka

São Paulo (SP)

O aveloz (Euphorbia tirucalli) é um arbusto que pode atingir até 3 metros de altura, possui ramos verticiliados, cilíndricos e é extremamente ramificado, com coloração verde. A planta é muito comum no Nordeste do País, usada principalmente como cerca-viva. No Sudeste, é mais comum o uso do aveloz em ornamentação. Por ser tóxica (quando o galho quebra a planta solta um leite tóxico), recomenda-se tomar cuidado no manejo. Algumas pessoas apresentam alergia à planta, o que pode causar irritação na pele. O produtor de flores de Atibaia (SP) Carlos Takahashi comercializa mudas da planta. Segundo ele, o cultivo do aveloz é simples, e não requer nenhum cuidado especial. "Se cair um galho no chão, ele solta a raiz e cresce praticamente sozinho", diz ele. Na capital paulista, o produtor comercializa na Ceagesp. Mas ele pede para os interessados encomendarem a muda antecipadamente. Tel. (0--11) 9979-5523.

linkFramboesa vai bem em Campos do Jordão

Tenho uma propriedade em Campos do Jordão (SP) e gostaria de saber se lá é possível cultivar framboesas. Se possível, onde poderia conseguir mudas e quais procedimentos e cuidados tenho que tomar para ter sucesso no cultivo das mesmas.

Marcos Lembo

mmgrellet@hotmail.com

Conforme o agrônomo Silvio Roberto Penteado, o cultivo da framboesa tem despertado interesse no Brasil, particularmente em São Paulo. A exploração em escala comercial, diz ele, é recente. Segundo Penteado, a região de Campos do Jordão (SP), com altitudes variando de 1.200 a 1.600 metros, é hoje o maior centro produtor de framboesa. O clima corresponde às exigências da cultura - frio no inverno e fresco no verão. Ele explica que os melhores solos são aqueles frescos, bem drenados e ricos em matéria orgânica. Apesar do interesse pelo cultivo orgânico, as maiores áreas ainda são cultivadas no sistema convencional e estão instaladas nos municípios de Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí, Santo Antônio do Pinhal e outros na região da Serra da Mantiqueira. A produtividade no Brasil é baixa, de 3 a 5 toneladas por hectare. Porém, "é uma cultura que aproveita bem a área, permitindo o cultivo econômico em pequenas propriedades, como chácaras e sítios". Conforme Penteado, a framboesa pode ser conduzida com defensivos alternativos, com as caldas bordalesa e sulfocálcica, assim como adubos orgânicos e naturais. Os frutos têm elevado valor comercial e são utilizadas para o consumo in natura, mas também servem para a fabricação de geleias, sucos, doces de pasta e fermentados. A propagação é feita pelo aproveitamento dos rebentos ou filhotes que surgem ao redor da planta-mãe. Estima-se que de uma planta adulta, em boas condições, desenvolvem-se de 10 a 15 rebentos. Por esta razão, convém iniciar com uma pequena área e obter as próprias mudas para a expansão do cultivo. As mudas que se formam são separadas e plantadas no inverno do ano seguinte. A qualidade da muda é fundamental na formação de uma cultura de framboesa, porque as plantas e as mudas estão sujeitas a ocorrência de bactérias patogênicas na região radicular, que provocam definhamento e queda da produção da cultura comercial. As mudas podem ser obtidas nos próprios produtores nas regiões de cultivo. O agrônomo Alexandre Gagliardi, da Secretaria de Agricultura de Campos do Jordão, pode indicar produtores de framboesa que comercializem mudas na região. Tel. (0--12) 3663-7683 ou e-mail: secretaria.agricultura@hotmail.com. Outras informações também podem ser obtidas no livro Manual de fruticultura ecológica, de Silvio Roberto Penteado. Contato, e-mail: silvio@agrorganica.com.br.

linkConillon bem conduzido tem boa produtividade

Ao ler no Agrícola reportagem sobre a qualidade do arábica capixaba, veio-me o antigo desejo de saber por que alguns produtores do Espírito Santo plantam café conillon, de preço bem inferior ao arábica. Um pesquisador do IAC disse-me que a preferência tem relação com o clima quente. Mas o arábica também produz, e muito, no clima quente. Liguei para o Banco do Brasil em São Gabriel da Palha (ES), capital do café conillon, mas nada souberam dizer.

Fausto Chaves

faustochaves@uol.com.br

O pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Romário Gava Ferrão, coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, explica que, no Espírito Santo, os produtores que cultivam conillon, sobretudo os mais tecnificados, têm tido bom retorno econômico, mesmo com o preço inferior em relação ao café arábica. Segundo o pesquisador, nos últimos 15 anos, a produtividade média do Estado passou de 9 sacas/hectare para 26 sacas/hectare - aumento de 188% - e a produção subiu de 2,4 milhões para 7,5 milhões de sacas/ano, um incremento de 213%. Hoje, mais de 35% dos cafeicultores capixabas, que possuem cerca de 120 mil hectares, vêm renovando as lavouras seguindo novas bases tecnológicas, o que torna a lavoura de conillon mais produtiva que a de arábica. "A pesquisa já lançou seis variedades, com recomendação de espaçamento, adubação, poda, irrigação e controle de pragas e doenças. Muitos produtores que usam tecnologias e fazem boa gestão da propriedade alcançam produtividade superior a 100 sacas beneficiadas/hectare." Conforme Ferrão, o consumo de conillon, variedade da espécie Coffea canephora, vem aumentando. A participação do conillon nas misturas com arábica (blends) é de 40% e chega a 80% na composição de café solúvel, segmento em que há maior aumento de consumo, de acordo com Ferrão. "Pelo seu maior teor de sólido solúvel, tem maior rendimento industrial. Se for produzido com qualidade superior, pode participar com maior porcentagem nas misturas com o arábica." Ele destaca, ainda, que o conillon se adapta muito bem a climas quentes, é tolerante à seca e rústico. Mais informações, romario@incaper.es.gov.br.

CORREÇÃO

Referente à resposta da carta "Poda é essencial" para castanha portuguesa, publicada na edição de 1.º de julho de 2009, do Agrícola, o número correto do Boletim da Cati sobre o cultivo de castanha portuguesa é 246. Mais informações, tel. (0--12) 3971-1306.

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