Cartas

Metas voluntárias

, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2009 | 00h00

Todas as metas de um país são voluntárias, são expressões soberanas. Adicionalmente, metas relacionadas às condições de sobrevivência da humanidade são voluntárias por serem expressões de desempenho de responsabilidade, sempre um ato unilateral. Como tal, as metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa deveriam expressar os melhores esforços possíveis. Essa verdade nem chegou a ser cogitada, tendo em vista que o Brasil é o país que maior facilidade tem de reduzir rapidamente as emissões, apenas com o término dos desflorestamentos. O desmatamento não contribui para o desenvolvimento de uma economia do século 21, seu fim seria um ato de vontade política e reflorestamentos beneficiariam todos. Metas de redução da ordem de 50% até 2015 em relação às emissões de 1990, a referência do IPCC, são absolutamente atingíveis e de custo relativa e comprovadamente baixo. Tudo o mais é fogo de artifício.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

Esperar que o capitalismo global, as grandes potências econômicas, que são as maiores produtoras de CO2, "voluntariamente" estabeleçam metas próprias de redução da poluição, sem que se estabeleçam acordos mundiais, é o mesmo que entregar as ratoeiras ao comando dos ratos...

CARLOS YOSHIKAZU TAKAOKA

cy.takaoka@hotmail.com

São Paulo

Ainda FHC e Lula

Fernando Henrique Cardoso criticou o "autoritarismo popular" de Lula e sofreu reação natural à exposição da verdade. Paulo Bernardo foi muito infeliz ao comparar FHC a Salieri e Lula a Mozart, afirmando que FHC não tem o talento de Lula. Não há termo de comparação, a distância entre um e outro é gigantesca, só não vê quem não quer. Lula tem sucesso e teve sorte na política econômica, que foi mantida, nascida das sementes plantadas por FHC. Falta-lhe humildade para reconhecer a "herança bendita" recebida do governo anterior. FHC é culto e estadista, Lula é inteligente e esperto. Usa a mentira habilmente, repetindo-a tantas vezes até que adquira aparência de verdade indiscutível. E depois diz que os tucanos usam táticas nazistas. Quem as utiliza em sua propaganda política é o PT, que incorporou a tática de Goebbels, pregador de Hitler. Pura sublimação, para inverter a ordem, onde Lula provoca paixões, assegurando o domínio sobre os corações e o bloqueio das mentes das massas contrárias à ideologia oficial. Lula não admite críticas, falta-lhe humildade, assim como à sua candidata Dilma, que acusa a oposição de "excesso de vaidade" e falta de rumo. De fato, falta liderança à oposição, que está sendo omissa, ineficiente, optando os dois pré-candidatos à Presidência, Serra e Aécio, pelo silêncio sobre a manifestação de FHC, que foi muito oportuna, provocando reações positivas. Serra tem de sair do silêncio e decidir logo sobre sua candidatura, porque Ciro e Aécio já se reuniram duas vezes em Belo Horizonte para articular estratégia conjunta na corrida presidencial de 2010. "Ciro diz que sai em favor de Aécio" com a intenção de provocar um racha no PSDB, criticando o partido em campanha nacional. Ninguém melhor do que Fernando Henrique para coordenar a campanha política do PSDB, porque conhecimento, sabedoria e ex-periência política não lhe faltam.

CLEITON REZENDE DE ALMEIDA

cleiton_rezende@uol.com.br

Araraquara

Sumiu o crucifixo

A notícia estampada na primeira página do Estadão de ontem, com fotos mostrando o ministro Edison Lobão e o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, em solenidade da qual se retirou crucifixo da parede para "não associar as autoridades da área do apagão à ideia da morte na cruz", se não fosse trágica, seria cômica. Tais "autoridades" fizeram muito bem em mandar retirar o Cristo, pois nada têm que ver com ele. Ao contrário, com suas reconhecidas incompetência e falta de preparo para as funções que exercem, estão, sim, é nos infernizando a vida, portanto, nada mais impróprio que estarem ao lado de Cristo.

JOSÉ AFONSO ZERBINI

jazerbini@yahoo.com

Brasília

Dizer que as "autoridades" do apagão não quiseram associar a sua imagem à ideia da morte na cruz é patético, de tão ridículo e mentiroso. O ministro de Minas e Energia do Sarney e o diretor da Aneel tiraram o crucifixo por vergonha, isso sim, para que Deus não testemunhasse mais mentiras e engodos a que o povo brasileiro se sujeita. Mas que as "autoridades" não se enganem, pois Deus está em toda parte, mesmo onde não está o crucifixo.

FERNANDO BAHDUR GIANNINI

fbgiannini@uol.com.br

São Paulo

Na hora do apagão, clamam pela ajuda de Deus. Na hora da explicação, execram a figura de Cristo. Já temos o nosso Judas: o ministro Lobão.

JOSÉ EDUARDO ZAMBON ELIAS

zambonelias@estadao.com.br

Marília

A retirada do crucifixo da parede do Ministério de Minas e Energia deveria ser seguida por todos os demais órgãos públicos, federais, estaduais e municipais, em respeito às demais religiões e também aos ateus brasileiros. Conforme a Constituição em vigor, o Estado não tem religião oficial, portanto, nenhum símbolo sacro deve ser exibido ou servir de adorno em repartições do governo, sob pena de prevalecer sobre os demais credos seguidos e respeitados no País. Em nome da paz entre as religiões, amém!

J. S. DECOL

decoljs@globo.com

São Paulo

Censura, 113 dias

Com o pedido do filho de Sarney ao STF para que mantenha a censura ao Estadão, vamos ver quanto vale ser amigo de "uma toga"!

MYRIAN MACEDO

myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

Nova era

Inaugurada nova era da Justiça no Brasil: de ora em diante, fica a critério do ocupante do Poder Executivo o cumprimento ou não das decisões do STF. Por este andar, aonde chegaremos?

AUGUSTO FERNANDES DE AZEVEDO

az3.azevedo@terra.com.br

São Paulo

Chama o vice

O caso do italiano Cesare Battisti acabou virando uma "batata quente" nas mãos do governo petista. Logo, coube ao vice-presidente oferecer os seus préstimos, quando adiantou sua opinião: resta ao governo cumprir a decisão judicial. Assim, para evitar maior desgaste do petismo, caberá ao vice assinar o ato de extradição, numa das costumeiras vacâncias do cargo - não será a primeira vez que livra a cara do titular.

NOEL GONÇALVES CERQUEIRA

noelcerqueira@gmail.com

Guarujá

O "teflon" petista não impedirá Battisti de "grudar" no Lulla.

A. FERNANDES

standyball@hotmail.com

São Paulo

USP Leste

Apesar de concordar com várias observações do professor Castilho sobre os rumos do ensino superior no Brasil (15/11), a democracia na universidade e o papel que a pesquisa deveria ter, creio que o seu desconhecimento das características da USP Leste (na verdade, EACH-USP) acabou por diminuir o mérito da sua entrevista. Fui docente da EACH-USP por dois anos (2007-2008), depois de ter feito graduação, mestrado e doutorado no câmpus Butantã, com especialização nos EUA, e posso dizer que a EACH foi o único lugar onde pude observar uma proposta real de interdisciplinaridade e convivência de alunos e professores de áreas díspares no mesmo espaço. Ouso ainda sugerir que o nível geral dos professores da EACH (a maioria bastante jovem e hiperqualificada, quase todos com pós-doutorado) é superior ao de seus pares no "centro" (câmpus Butantã). Assim, ironicamente, a EACH é o que mais se avizinha do ideal de universidade almejado pelo professor Castilho.

ASTOLFO GOMES DE MELLO ARAUJO, Museu de Arqueologia e Etnologia (USP)

astwolfo@usp.br

São Paulo

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