Cartas

Cuieira: artesã ensina a aproveitar frutos

O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2009 | 00h38

Li no Agrícola sobre a cuieira. Tenho em minha propriedade, no noroeste paulista, quatro lindos exemplares que produzem muitas cuias grandes e redondas, que acabam sendo relegadas ao apodrecimento. Gostaria de saber como fazer cuia, para uso doméstico, pois minhas tentativas até o momento foram inúteis. Como secá-la, serrá-la e conservá-la?

Márcio Bottrel

tmansa@terra.com.br

Os frutos da cuieira ou coité, planta nativa da América Central e que, no Brasil, ocorre da Amazônia até o Sudeste, geralmente têm formato globoso e a casca, depois de seca, torna-se lenhosa e resistente. Daí o aproveitamento das cascas na fabricação de objetos de uso doméstico, como recipientes, vasilhas e cuias, como caixas de ressonância em berimbaus, e peças decorativas. A artesã Cristina Ribeiro Nunes, vinculada à Casa do Artesão de Porto Alegre (RS), explica que o porongo - como o fruto da cuieira é chamado no Rio Grande do Sul - pode ser trabalhado de forma artesanal, desde que o fruto seja colhido maduro ou pouco antes de amadurecer. Para produzir seus objetos de decoração feitos com porongo, vendidos em Salvador (BA), Cristina deixa os frutos colhidos de molho na água por alguns minutos e depois passa uma palha de aço (sem sabão), até deixá-los bem limpos. Após a limpeza, a artesão faz uma aplicação de produto anticupim e corta os frutos, com serra, no formato desejado. "Raspo as sementes com uma colher e passo uma lixa para madeira para deixar a superfície ficar bem lisa", explica. Para dar o acabamento, Cristina usa tinta acrílica ou epóxi e enverniza a peça. "O acabamento vai depender do tipo de objeto desejado. O objeto só não deve ser levado ao fogo. O porongo serve muito bem para a confecção de objetos utilitários e decorativos." Informações, e-mail frutodaterra.com@terra.com.br.

Flor-de-pau tem uso ornamental

Gostaria de saber os nomes científico e popular de uma trepadeira cuja flor segue na fotografia. Recebi três flores de um amigo que as

chamou de flor de madeira, mas com este nome não encontrei nenhuma informação.

Pietro Guasti

itanorge@uol.com.br

O especialista Luis Bacher, da Fazenda Citra da Dierberger Plantas, em Limeira (SP), informa que a planta da fotografia é a flor-de-pau (Merremia tuberosa), também conhecida por rosa-de-pau ou ipomeia do ceilão. Ela é originária das Américas, África e Ásia e seu crescimento é muito vigoroso, segundo o especialista. "Suas flores, na verdade, são amarelas, e a denominação flor-de-pau é por causa da aparência de seu fruto seco, que tem cor de madeira", explica. Por esse motivo, os frutos são usados em arranjos, artesanato e no revestimento de cercas, pérgolas, caramanchões e muros. Luis Bacher, www.fazendacitra.com.br.

Ameixeira leva de 2 a 3 anos para frutificar

Plantei no jardim de minha chácara muda de ameixa proveniente de caroço. Após longa data, teve a primeira produção. O problema é que todos os frutos bicham e percebi que, no dia seguinte, os frutos são cortados pelo talo como se tivessem sido cortados por uma faca. O que pode estar ocorrendo, nos dois casos?

Heitor Hartmann

Franco da Rocha (SP)

Os pesquisadores José Emílio Bettiol Neto e Fernando Antonio Campo Dall''Orto, do Centro de Frutas do Instituto Agronômico (IAC-Apta), explicam que plantas de ameixa japonesa (Prunus salicina), quando provenientes de caroço, além da dificuldade de obtenção das mesmas, demoram de 2 a 3 anos para frutificar. "Geralmente, a frutificação é escassa quando o plantio é isolado, pois se trata de uma fruteira com predominância de polinização cruzada, que necessita de outra planta para a obtenção de boa frutificação", afirmam os pesquisadores, especialistas em fruticultura de clima temperado. Como em outras fruteiras, pode ser que a ameixeira esteja sendo atacada pela mosca-das-frutas, que "bicha" os frutos. "Como controle, recomenda-se o ensacamento parcial dos ramos. Se houver dificuldade de ensacar os frutos individualmente, pode-se aplicar um inseticida específico." O inseticida deve ser adquirido mediante receituário agronômico, emitido por um engenheiro agrônomo, que também pode orientar a aplicação do produto. Os pesquisadores acrescentam que, por causa da nomenclatura comum, pode haver confusão da ameixeira com a nespereira (Eriobotrya japonica), popularmente chamada de ameixa amarela. "Neste caso, também há ocorrência de mosca-das-frutas, que atacam e danificam os cachos." Uma forma de controle sugerida seria o raleamento e posterior ensacamento dos frutos remanescentes com folhas duplas de jornal que, mesmo deixando a extremidade superior aberta, impede o ataque do inseto. O raleamento consiste na retirada de até 70% dos frutos, ainda pequenos, para que o restante fique maior. "Entretanto, o ensacamento não representa barreira eficiente para conter o ataque de morcegos frugívoros, que cortam e mordem os frutos, consumindo-os total ou parcialmente, o que coincide com um dos sintomas relatados." Centro de Frutas IAC, tel. (0--11) 4492-4844.

É possível cultivar alface em vasos

É possível cultivar alface em vasos? Já tentei várias sementes e não deu certo. Qual é o adubo necessário e onde posso encontrá-lo?

Claudette Alves

claudette.davi@hotmail.com

O engenheiro agrônomo Marcelo Rigotti, do Portal da Horticultura, diz que o cultivo de hortaliças em recipientes é interessante porque possibilita a reciclagem e o reaproveitamento de materiais, como garrafas PET, caixas de madeira ou vasos. "Muitas pessoas deixam de produzir hortaliças por falta de espaço, mas mais importante que espaço é a água e os nutrientes, porque são culturas de ciclo curto. A alface, por exemplo, é colhida em 30 dias", diz. A adubação é feita com adubo orgânico, como esterco de aves curtido ou húmus de minhoca, encontrado em supermercados, lojas agropecuárias e de jardinagem. "Esses produtos vêm com a recomendação na embalagem, mas, em geral, pode-se misturar uma mão cheia de húmus com o solo para cada garrafa. O solo que vai preencher a garrafa deve ser uma mistura de um terço de terra vermelha peneirada (os torrões podem atrapalhar o desenvolvimento da planta), um terço de condicionador de solo (encontrado em lojas agropecuárias) e um terço de areia", recomenda. Conforme Rigotti, as sementes são colocadas na superfície do solo e enterradas a 1 centímetro de profundidade. "Geralmente, são colocadas três sementes por garrafa; quando as plantas atingirem 5 centímetros de altura deixa-se apenas a planta mais vigorosa, retirando as mais fracas." Mais informações no site www.portaldahorticultura.xpg.com.br. E-mail: rigottims@yahoo.com.br.

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