Cartas

Ovinos substituem cortador de grama

O Estado de S.Paulo

24 de março de 2010 | 02h48

Tenho uma ampla área com grama em minha propriedade e mantê-la aparada é muito caro, especialmente na época de chuvas. Posso comprar carneiros e colocá-los nessa área para que eles atuem como "cortadores de grama"? Além disso, gostaria de saber qual raça é mais indicada e quais os cuidados básicos.

MÁRCIA ACCIOLI

MAFREIRE@SUPERIG.COM.BR

Trata-se de opção difícil, pois o mercado oferece máquinas bastante eficientes e duráveis para aparar gramados. Os cortadores geralmente não apresentam bom desempenho só em terrenos íngremes. O uso de carneiros pode ser indicado à medida que se quer valorizar aspectos mais naturais da vida no campo, já que eles não são barulhentos e não consomem gasolina. Mas, se a opção for pelos animais, o pesquisador Mauricio Sartori Bueno, do Instituto de Zootecnia de Nova Odessa (IZ-Apta), recomenda que os de raças deslanadas (sem lã), como santa inês, morada nova e dorper, são mais fáceis de tratar, pois não precisam ser tosquiados. "Já os da raça texel, ile de france, suffolk e seus mestiços precisam ter a lã cortada toda primavera. Nesse caso, será necessário comprar os aparelhos de tosquia manual e, talvez contratar um tosquiador." Bueno explica também que ovinos costumam ser alvo de predadores, como cães errantes. Por isso é preciso construir um abrigo, ainda que rústico, para os animais pernoitarem. "Além de evitar os ataques e até o roubo dos animais, essa medida evita que eles fiquem expostos à chuva e umidade excessiva", diz. O especialista também chama a atenção para o fato de que, em época secas, quando a grama cresce menos, pode ser necessário complementar a alimentação dos carneiros e ovelhas com ração ou feno. Além disso, o rebanho precisará receber vermífugo três vezes por ano. Por último, Bueno recomenda a compra e animais novos, ainda com dentes de leite ou com apenas dois incisivos permanentes. Mais informações podem ser obtidas com o pesquisador Mauro Sartori Bueno. E-mail: msbueno@iz.sp.gov.br

Antracnose ataca figo-da-índia

Tenho uma plantação de figo-da-índia. Por vários anos eles nunca tiveram nenhum tipo de praga. Este ano, porém, mesmo com os frutos apresentando boa aparência por fora, por dentro vários deles estão podres ou têm partes podres. Não consegui ver nenhum tipo de larva semelhante à que ataca goiabas. O que pode ser e como posso tratar?

PAOLA CUNHA

PAOLAGCUNHA@GMAIL.COM

Aparentemente, o problema descrito pela leitora é um ataque de antracnose, diz o especialista em fruticultura de clima temperado e professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Rafael Pio. Segundo ele, a antracnose é uma doença fúngica, que deprecia o fruto pelo lado de dentro. "Essa doença ocorre em condições de altas temperaturas e excesso de chuvas", explica Pio. O controle da antracnose, segundo ele, é feito por meio da aplicação de fungicidas à base de cobre. "No entanto, não se deve fazer a aplicação por conta própria. O correto é procurar uma casa agropecuária e solicitar auxílio de um profissional da área agrícola", alerta. Rafael Pio. E-mail: rafaelpio@hotmail.com.

Cravo se reproduz só por sementes

Tenho intenção de produzir cravos ornamentais, mas não sei onde encontrar mudas. Será que podem me indicar algum endereço onde eu possa comprá-los?

ARMÍNIO SANTOS

ARMINIOO@GMAIL.COM

A agrônoma da Associação de Floricultores da Região da Via Dutra (Aflord), Fernanda Pereira dos Santos, esclarece que a propagação dos cravos não se dá por estacas (galhos da planta), mas sim por sementes. Ela indica ao leitor procurar a Tamada Plug Plants, empresa que comercializa mudas provenientes dessas sementes, germinadas em bandejas. Segundo ela, a empresa cultiva cravos da variedade lilipot e possui plantas de diversas cores. O telefone da empresa é (0--11) 4655-3409. Fernanda Pereira dos Santos. E-mail: fpsantosfca@hotmail.com.

Jabuticabeira: enxertos são raros

Gostaria de saber como se faz para obter mudas de jabuticabeira a partir da técnica de enxertia.

WALDIR COLINA

SÃO PAULO (SP)

"As mudas de jabuticaba são feitas de sementes. Raramente a técnica de galho-tronco (enxerto) é usada para produzir uma árvore ", explica o especialista em plantas e consultor da Fazenda Citra, em Limeira (SP). Segundo ele, os viveiristas costumam manter as jabuticabeiras plantadas diretamente no chão. "Elas são cultivadas ali até estarem próximas da época de produzir, o que pode demorar bastante, mais de dez anos. Aí, sim, são arrancadas", explica. De acordo com Bacher, alguns viveiristas produzem esporadicamente mudas enxertadas que adiantam um pouco a produção. Não é, porém, uma prática comum para fazer a reprodução da planta.

"Agrícola" não recebe plantas

O Suplemento Agrícola não recebe, na redação, plantas com problemas fitossanitários ou para serem identificadas. Solicitamos aos leitores que encaminhem suas dúvidas diretamente a instituições como Instituto Agronômico, Esalq-USP e Instituto Biológico, a saber: identificação de plantas: Herbário do Instituto de Botânica, tel. (0--11) 5073-6300 r. 264 e 263; Instituto de Biociências/USP, tel. (0--11) 3091-7595; amostras de plantas para diagnóstico de doenças e pragas: Instituto Biológico, tel. (0--11) 5087-1789; Clínica Fitopatológica da Esalq/USP, tel. (0--19) 3429-4124 ramal 202; Centro de Fitossanidade do Instituto Agronômico, tel. (0--19) 3241-5188 r. 385. Alertamos que o ideal é entrar em contato com as instituições antes de enviar a amostra, para que o interessado seja instruído sobre como coleta e acondicionamento.

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