Cartas

Pequeno avicultor deve vacinar as avesPretendo iniciar uma criação de galinhas poedeiras e frangos de corte em semiconfinamento, mas percebi que, particularmente no fim inverno, há mortandade dos pintinhos. Por isso solicito que me seja fornecido um calendário de vacinação.Abimael Mendonçacolegiomiguelsp@terra.com.brA criadora Maria Virgínia Franco da Silva, da Associação Brasileira de Criadores de Aves de Raças Puras, informa que há duas vacinas que devem ser aplicadas nas aves. Uma é contra a doença de newcastle, aplicada no canto de um dos olhos ou via nasal, nos seguintes períodos: a primeira dose entre 3 e 10 dias de idade; a segunda dose entre 21 e 30 dias; a terceira dose entre 45 e 60 dias e um reforço anual. Há outra vacina que imuniza as aves contra a bouba aviária. O método de aplicação é por punção na membrana da asa. Ou, então, arranca-se uma pena da coxa e, no local do poro, uma gota da vacina é aplicada. A primeira dose da vacina contra bouba aviária é dada entre 1 e 5 dias de idade; a segunda dose, entre 80 a 90 dias, e a terceira quando a ave completar 180 dias de vida, além de um reforço anual. Maria Virgínia explica, porém, que nem todas as vacinas previstas no calendário são acessíveis para pequenos criadores. As vacinas contra doença de marek, coriza infecciosa e bronquite infecciosa, por exemplo, não são viáveis para pequenos plantéis, porque custam muito caro, não podem ser armazenadas e é exigido que o produtor adquira uma grande quantidade de vacinas. "As vacinas contra newcastle e bouba aviária, que são as principais, são baratas e acessíveis", diz a criadora, que recomenda vacinar apenas aves em bom estado de saúde e não utilizar água clorada para fazer a diluição de vacinas. "Use água mineral ou água de poço previamente fervida." Mais informações no site www.abcaves.com.br ou pelo tel. (0--11) 5667-3495. É possível aproveitar fumaça da lenhaTrabalho em um abatedouro de aves, no qual as vísceras e penas são aproveitadas para fabricação de farinha. Consome-se muita lenha na caldeira e gostaria de saber se há algum processo para aproveitar a fumaça da queima de lenha de eucalipto para obter algum produto e não lançá-la na atmosfera.Roberto Paiolibeto_paioli@yahoo.com.brPode-se aproveitar a fumaça obtida da queima de lenha fazendo-se o ácido pirolenhoso, muito utilizado para combater e repelir pragas agrícolas e aumentar a resistência e combater doenças pecuárias, segundo o engenheiro agrônomo Silvio Roberto Penteado. O ácido pirolenhoso é um produto resultante da condensação ou do resfriamento da fumaça expelida na lenta queima da lenha de madeira ou bambu. Normalmente, ele é capturado no processo de produção de carvão vegetal. A coleta é feita por uma chaminé especial, que é um cano de ferro ou de alumínio, longo (10 a 15 metros), com inclinação de 30 a 40 graus. Ao passar pela chaminé, a fumaça se condensa e vira um líquido escuro, que volta para um balde colocado na parte de baixo da chaminé. O produto bruto precisa ser beneficiado antes do uso agrícola, por conter altas taxas de alcatrão, presente nas formas solúveis e insolúveis, que contém substâncias cancerígenas. O alcatrão deve ser decantado para retirar a forma insolúvel e destilado para retirar a forma solúvel. É possível, também, aproveitar a cinza da lenha queimada, um material rico em potássio, muito recomendado na literatura para controle de pragas e até de algumas doenças de lavouras. As cinzas mais recomendadas são provenientes de eucalipto, casca de arroz, Acacia nilotica, casuarina, madeira de mangueira, tamarindo e Spirotachys africana. Mais informações com Silvio Roberto Penteado, no e-mail silvio@agrorganica.com.br ou tel. (0--19) 3232-1562. As propriedades do feijão guanduGostaria de saber qual a utilização do feijão guandu, quantas espécies existem e qual a sua origem.Alexandre Teodoroalexandreteodoro@ig.com.brO pesquisador Carlos Armênio Khatounian, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), diz que a origem mais provável do guandu é o Sul da Ásia e a Austrália, onde ocorrem seu parentes silvestres mais próximos. Como planta cultivada, é explorada há muitos séculos, principalmente na Índia. O pesquisador explica que na África tropical também se cultiva e se consome o guandu, principalmente os grãos verdes, antes de a vagem secar. Da África, Khatounian conta que o guandu foi trazido para a América, onde é bastante consumido. No Brasil, expandiu-se por toda a zona tropical, e é consumido desde o Ceará até o norte do Paraná. Os grãos secos do guandu, conforme o pesquisador, podem ser aproveitados na alimentação de animais. Para as aves, podem ser fornecidos crus, inteiros ou em farelo grosso; para os ruminantes, crus mas em farelo fino. Para os suínos, é preciso cozinhar o grão. As folhas também podem ser fornecidas na dieta de ruminantes. Após dois ou três anos de crescimento, o guandu produz, ainda, lenha de qualidade mediana, para uso em fogões domésticos. Tem taxa de produtividade de 20 metros cúbicos de madeira sólida/hectare/ano, semelhante à do eucalipto. "Além de produzir grãos verdes e secos, forragem e lenha, o guandu é aproveitado como planta de serviço: para cerca-viva e quebra-vento e para o sombreamento inicial de culturas como o café e o cacau."Quanto ao número de variedades em cultivo no Brasil, é difícil precisar. Há variedades lançadas pelo Instituto Agronômico (IAC), pela Embrapa e pelo Iapar. "Como as variedades facilmente cruzam entre si, os materiais em cultivo apresentam muita variabilidade." Iapar, tel. (0--43) 3376-2000. Espuma em galho de planta intriga leitorQue inseto faz uma camada de espuma na planta? Notei o problema em uma árvore nativa, em área de mata atlântica. Ao abrir o sol, a ?espuma? goteja como se derretesse.Antonio PereiraMogi das Cruzes (SP)Conforme avaliação de foto enviada pelo leitor, o professor Octávio Nakano, do Depto. de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola, e a responsável pela Clínica Fitopatológica da Esalq/USP, Liliane De Diana Teixeira, dizem que o caso parece tratar-se de uma Cassia sp., atacada pelo inseto Cephisus siccifolius, conhecido por cigarrinha. O inseto suga grande quantidade de seiva da planta, o que provoca o gotejamento. Tanto o gotejamento como a "espuma" são secreções do inseto. Eles dizem, ainda, que os danos ocasionados pelo inseto à planta são inexpressivos. "Como há apenas uma planta afetada, pode-se irrigar os ramos atacados com água em alta pressão", sugerem. Clínica/Esalq, tel. (0--19) 3429-4124, ramal 202. Como fazer xarope de granadina ou romãSobre romãs, o leitor Paulo Araújo ensina como fazer xarope de granadina (ou de romã), para adocicar e colorir de grená bebidas e cobertura de sorvetes e pudins: corte a romã em quatro partes. Separe as bagas, sem esmagá-las. Ponha-as num liquidificador com filtro, acrescente um pouco de água e bata um pouco até verificar que não sai mais sumo. Meça o volume e acrescente igual volume de açúcar orgânico claro. Mexa bem. Leve ao fogo brando em panela de vidro por 15 minutos, mexendo sempre, com colher de pau, até sentir que vai ferver. Retire, deixe esfriar, e guarde numa garrafa, na geladeira.

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2007 | 01h32

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