Cartório não pode identificar causa da morte

O único hospital de Várzea da Roça fechou as portas há pouco mais de um ano e meio, logo depois da eleição do novo prefeito do município. O completo abandono do hospital motivou uma ação do Ministério Público da Bahia contra o antigo prefeito, que suspendera não apenas a assistência médica, como o transporte escolar e o recolhimento de lixo na cidade.

, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Há um ano, auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS) registrou as "instalações físicas em péssimo estado" do hospital. Na quinta-feira, o Estado viu equipamentos sem uso amontoados em um prédio tomado por cupins e, ao lado, um prédio recém-reformado e parcialmente equipado, mas sem dinheiro para funcionar.

Com 17 mil habitantes, Várzea da Roça conta hoje com oito médicos recém-contratados, principalmente para o Programa Saúde da Família (PSF), que atende a população da área rural. Mas, segundo o prefeito, isso não é garantia de queda do número de mortes por causa mal definida.

"Há uma resistência cultural na cidade", diz o prefeito Lourivaldo Souza Filho. "Muitas vezes, as famílias vão diretamente ao cartório." Os cartórios, porém, não estão autorizados a identificar a causa da morte.

Há resistência também na investigação de casos de morte por causa mal definida, conta a enfermeira Sandra Santos. "Não está sendo nada fácil. Algumas famílias temem perder o benefício da Previdência Social."

Superlotação. Há resistência até para ampliar o cemitério superlotado da cidade, diz o prefeito. Há lápides improvisadas no caminho, entre jazigos de ladrilho enfeitados com flores de plástico.

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