Carvalho prevê protestos no Rio durante visita do papa

Um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta sexta-feira, 21, que a Jornada Mundial da Juventude, prevista para ocorrer no próximo mês no Rio de Janeiro, pode se desenrolar dentro de um clima de manifestações semelhante ao que vive atualmente o País. Ao comentar os danos na entrada do Palácio Itamaraty, alvo de um grupo de pessoas ontem, o ministro também condenou que os protestos tenham, em alguns casos, virado "expressão lamentável e irresponsável de vandalismo que nos não podemos aceitar".

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

21 de junho de 2013 | 12h17

"A Jornada pode, nós temos de ter clareza, ocorrer dentro de um clima que não vou dizer igual aos dias de hoje, pois a conjuntura evolui tão rapidamente que não temos como profetizar como vai acontecer, seria temerário. Mas teremos de estar preparados para a Jornada ocorrer inclusive em um clima com manifestações no País", disse o ministro, durante reunião preparatória para o evento, no Palácio do Planalto. Programada para ocorrer de 23 a 28 de julho, a Jornada Mundial da Juventude é um evento organizado pela Igreja Católica e que este ano receberá o papa Francisco. A reunião de hoje foi aberta a cinegrafistas apenas no início - não foi possível acompanhar todo o discurso do ministro.

Carvalho destacou que, por um lado, o governo vê os protestos como uma celebração da democracia, frisando que foi difícil conquistá-la. "A gente acha que as massas nas ruas são importantes porque significam o engajamento da cidadania na busca pelos seus direitos. A jornada é mais um desses eventos de expressão de cidadania. Agora ao mesmo tempo temos de entender que essas manifestações estão demandando mudanças", comentou o ministro.

Para Gilberto, os protestos expressam uma "insatisfação popular expressa, às vezes, de maneira mais adequada, às vezes de maneira menos adequada". Na avaliação do ministro, os manifestantes levantam temas e bandeiras como o combate à corrupção, a exigência de ética na política e a cobrança de serviços públicos de qualidade, exigindo atitudes dos governos - nas três esferas.

Consumo

"E também estão a mostrar essa grande camadas de brasileiros que emergiu da exclusão e que passou a consumir, ela quer novos direitos, e é natural e bom que assim seja. Nós mesmos criamos condições para que houvesse um novo padrão de exigência que temos de correr atrás. E procurar atender essas demandas. A atitude do governo federal desde o primeiro momento foi de ir ao encontro das manifestações, abrir o Palácio para conversas com lideranças, tendo a compreensão de que se trata de um novo tipo de movimento, um novo tipo de liderança", prosseguiu o ministro.

Carvalho disse que o que preocupa, no momento, é que as manifestações acabam virando palco de "expressão lamentável e irresponsável de vandalismo que nos não podemos aceitar". A manifestação na Esplanada dos Ministérios reuniu em torno de 30 mil pessoas ontem, segundo a Polícia Militar.

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