Casa Civil retoma papel técnico com Gleisi Hoffmann

A escolha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), 45 anos, para suceder Antonio Palocci na chefia da Casa Civil, não deixa dúvidas de que a presidente Dilma Rousseff quer que a pasta retome o perfil técnico que ganhou quando a presidente sucedeu o ex-ministro José Dirceu, em 2005.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

07 Junho 2011 | 21h54

Em sua primeira entrevista, a nova ministra deixou claro que essa é a determinação de Dilma. "A presidente Dilma quer um funcionamento da Casa Civil na área de gestão, de acompanhamento de projetos", disse a jornalistas, pouco depois de ter seu nome anunciado.

A escolha de Gleisi por Dilma, no entanto, deixa uma dúvida que os aliados ainda não sabiam responder no Congresso. Quem fará a articulação política do governo?

Os questionamentos ganham impulso porque o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, é considerado por muitos aliados fraco e sem interlocução com os congressistas. Apesar da avaliação, um assessor próximo a ele disse à Reuters que, por ora, a presidente não demonstrou intenção de substituí-lo.

Para essa fonte, que falou sob a condição de anonimato, a pasta ganhará força, com ou sem Luiz Sérgio.

Na opinião de um senador petista, no entanto, a presidente acertou ao nomeá-la e frisar que seu papel será gerencial. "Se fosse de articulação política seria um problema", comentou o parlamentar, que pediu para não ser identificado.

Nessa área, a nova ministra já experimentou o gosto das críticas dos colegas de bancada, após o vazamento de declarações feitas por ela em um almoço para senadores petistas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No encontro, ela disse que os senadores deveriam refletir se valia a pena se esforçar para defender "um ministro" e "seu projeto pessoal", em referência a Palocci. O vazamento da declaração e o perfil classificado como "arrogante" por alguns colegas de bancada deixaram a paranaense um pouco isolada por alguns dias.

"Isso aqui é um clube, ela não pode chegar e se intrometer na vida dos outros", afirmou na semana passada um outro senador petista sob a condição de anonimato.

"DILMA DA DILMA"-

Apesar de este ser seu primeiro mandato, a nova ministra tem experiência no Congresso, pois já atuou como assessora do PT por muito tempo e conheceu a presidente na equipe de transição de governo no primeiro mandato de Lula em 2002. Ela sempre auxiliou os petistas na área do Orçamento da União.

Durante o governo Lula, ela ocupou a diretoria financeira de Itaipu e discutiu projetos com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, várias vezes. E foi uma das poucas congressistas que conseguiu manter despachos com a presidente Dilma individualmente desde o início do governo.

Gleisi, mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, toma posse na quarta, e substituirá um dos ministros mais importantes das gestões Lula e Dilma.

A troca é mal vista pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, para quem ela não tem "a estatura política" do dono da consultoria Projeto.

"Ela não tem o perfil do Palocci, não tem a experiência do Palocci, não tem a liderança que o Palocci tinha, a confiança que ele passava para muita gente, nem uma certa capacidade de trato político que ele demonstrou também", afirmou.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que a decisão da presidente deixa claro que a Casa Civil não terá mais a atribuição da articulação política. "Ela será a Dilma da Dilma", afirmou.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), espera que a colega de legenda tenha uma boa interlocução com o Congresso. "Esperamos que ela possa, de forma muito transparente manter uma relação de diálogo com o Congresso, garantindo a legitimidade que o Parlamento tem", disse ao saber da escolha.

Nos próximos dias, deve-se ver quais as implicações da mudança de perfil na Casa Civil, e depois Dilma talvez decida promover uma nova troca no seu ministério.

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