Casa das Retortas em São Paulo abrigará museu

Local erguido em 1889 terá mostra permanente sobre o Estado de São Paulo

Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo,

30 Janeiro 2009 | 09h19

Tem vocação para feitos grandes esta Casa das Retortas, construída em 1889 na frente do Parque D. Pedro II, no Brás, zona leste de São Paulo. Durante quase um século, suas caldeiras produziram 200 mil m³ de gás todos os dias, principal combustível da crescente metrópole. Nas retortas - recipientes onde era depositado o carvão mineral -, temperaturas de até 1.320 graus, em galpões de 40 metros de altura. Ao seu redor, o início da industrialização de uma cidade, num bairro com vocação, desde sempre, ao trabalho operário. É esse conjunto de edifícios, resistente testemunha dos primórdios da indústria no País, que o governo do Estado escolheu para abrigar um novo museu, com nome definido e autoexplicativo: o Museu de História do Estado de São Paulo, onde se pretende unir uma história hoje contada aos pedaços.   "Já era hora de termos um museu que contasse, num só local, a história do nosso Estado, hoje disponível aos pouquinhos, encontrada nos diversos outros equipamentos culturais da cidade", disse o secretário adjunto da Cultura, Ronaldo Bianchi. "No museu, o visitante vai encontrar uma exposição permanente sobre São Paulo, desde antes da chegada dos portugueses até os dias atuais." As obras de adaptação do espaço - declarado de utilidade pública ontem, em decreto do governador José Serra (PSDB) publicado no Diário Oficial - foram orçadas em R$ 52 milhões e devem começar em abril. A previsão da Secretaria de Estado da Cultura é que o novo museu seja inaugurado em março de 2010.   O projeto museológico e museográfico, ainda não definido, ficará a cargo da Fundação Patrimônio Histórico da Energia e Saneamento, que entrou com R$ 20 milhões para a realização do projeto. "As primeiras reuniões para definição do que será mostrado na exposição permanente e nas temporárias serão realizadas no início da semana que vem", disse Bianchi. O curador contratado pela Fundação Energia e Saneamento é o jornalista e historiador Roberto Pompeu de Toledo.   O projeto de restauro da Casa das Retortas, tombada pelo Estado e pelo município, foi realizado pelo arquiteto Paulo Bastos e está sob análise dos órgãos de proteção do patrimônio nas duas esferas. "Manteremos as características originais, acredito que não haverá problemas", disse o secretário. Além do museu, será criado, num prédio anexo dentro do terreno de 19 mil m², um centro de documentação da história da política no Estado - provisoriamente chamado de SPDoc -, que reunirá acervo documental sobre os principais políticos de São Paulo. Criado em parceria com o Arquivo Público do Estado de São Paulo, o novo centro de pesquisa histórica será instalado numa segunda fase do projeto, até dezembro de 2010.    Desde que deixou de ser utilizada para extração de gás, no final da década de 1970, a Casa das Retortas já foi sede de órgãos da Secretaria Municipal da Cultura até ser desocupada, em 2000. Alvo de invasões e com parte da fachada de tijolos aparentes pichada, o complexo foi citado em todos os projetos de revitalização do entorno do Parque D. Pedro II, região degradada da capital, desde o final da década de 1980. Para os mais diversos fins: já esteve cotada a Museu da Cidade, do Folclore e até do Futebol. "A diferença é que agora tem nome e dinheiro já captado. As obras vão começar, com a demolição de alguns galpões, garagens construídas nos últimos anos em 30 dias", garantiu Bianchi.   O conjunto de edifícios fica na frente do antigo Palácio das Indústrias, em obras para instalação do Museu da Criança desde 2007. "Aguardamos apenas o início do ano letivo para abrir, provavelmente na metade de março", disse Bianchi.   A construção de uma passarela sobre a Rua da Figueira, que separa os dois museus - o da Criança e o da História do Estado de São Paulo -, também está prevista. "Uniremos educação e história num complexo museológico que servirá para revitalizar todo o entorno."

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