Casal é preso por esconder fazendeiro de SP por 4 anos

Caso ocorreu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul

BRÁS HENRIQUE, Agencia Estado

15 de fevereiro de 2008 | 19h14

Após dois anos de investigação, um casal foi preso pela Polícia Federal (PF), em Santana do Livramento (RS), por manter confinado a um quarto numa chácara um fazendeiro de 74 anos. Joaquim Araújo de Carvalho tem uma fazenda em São Simão, na região de Ribeirão Preto (SP), que arrenda a uma usina para o plantio de cana, o que lhe rende R$ 60 mil ao ano. Ele desapareceu em junho de 2003, sem dar notícias a parentes, ao sair com uma sobrinha que tinha sido nomeada sua herdeira universal pouco antes. Ela também tinha procuração ilimitada para gerir os bens do tio. Silmara Procópio de Castro Cervantes, de 55, e o seu companheiro, o uruguaio Hector Aníbal Rodriguez Sotto, de 44, foram presos na segunda-feira por manterem Carvalho, tio de Silmara, na chácara. Anteriormente, uma outra sobrinha havia movido uma ação de interdição de Carvalho, alegando que ele não teria controle sobre seu dinheiro, que gastaria sem critérios. Porém, com o sumiço do tio, a Justiça não teve como fazer perícia do fazendeiro. Enquanto isso, Silmara intimidava o tio, alegando que ele seria preso ao voltar a São Simão por não controlar seus gastos.Parentes de Carvalho procuraram o promotor de São Simão, Tiago Cintra Essado, há dois anos, indignados com o sumiço do fazendeiro. Após verificar algumas informações, o promotor soube que Silmara estaria em Santana do Livramento. A PF passou a monitorá-la. Em setembro de 2007, Essado moveu uma ação de bloqueio dos bens de Carvalho para preservar seu patrimônio. A Justiça concedeu o bloqueio, o que levou Silmara, Sotto e Carvalho à sede da PF na segunda-feira, para tentativa de liberar a aposentadoria do fazendeiro. Mas já havia um mandado de busca do fazendeiro e o casal foi detido. Carvalho está sob a custódia de outros parentes e, segundo o promotor, comentou que sua intenção é revogar o testamento em favor de Silmara. Para evitar que outros parentes tentem atitudes semelhantes à da sobrinha, seus bens, por enquanto, ficarão sob o controle do Poder Judiciário.

 

NOTA DA REDAÇÃO:  Por decisão judicial informamos que Hector Aníbal Rodriguez Sotto foi "absolvido por inexistência de crime"

 

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