Casamento real prejudica recuperação econômica do Reino Unido

O turismo até vai aumentar a venda de suvenires, mas o casamento do príncipe William com Kate Middleton não deverá gerar o impulso para a economia da Grã-Bretanha que o governo espera.

CHRISTINA FINCHER, REUTERS

28 Abril 2011 | 13h10

A Confederação da Indústria Britânica estima que um feriado extra normalmente custe à economia em torno de 6 bilhões de libras (15 bilhões de reais) em produção perdida.

Mesmo tendo em conta o fator de otimismo causado pelo momento histórico e o impulso para as atrações de Londres, com o afluxo de turistas estrangeiros endinheirados, o casamento não é uma "notícia boa pura e simplesmente", disse o primeiro-ministro David Cameron.

A história mostra que feriados têm um impacto negativo duradouro no PIB.

A última vez que os britânicos tiveram um feriado extra foi para comemorar o Jubileu de Ouro da rainha Elizabeth, em junho de 2002. Naquele mês, a produção industrial caiu mais de 4 por cento e os serviços, mais de 2 por cento. A produção em ambos setores não retornou a níveis anteriores a junho por um bom tempo, mostram os dados oficiais.

Em 1981, quando Charles se casou com Diana, a economia contraiu 1,2 por cento, apesar do aumento do turismo que o casamento causou.

O economista Philip Shaw, da Investec, avalia que o casamento real vai tirar 0,25 por cento do crescimento do PIB no segundo trimestre -- uma péssima notícia, dado que a economia britânica está essencialmente estagnada desde setembro.

O impacto do casamento real, as temperaturas acima da média em abril, e uma Páscoa tardia vão complicar a vida dos economistas, que ainda sofrem as sequelas de sua incapacidade para prever a crise britânica do final do ano passado.

BOM SENTIMENTO

O casamento pode ser uma distração bem-vinda para os britânicos, atualmente mais acostumados com notícias de cortes de empregos e aumento dos preços, mas é improvável que desencadeará uma onda de consumo.

A confiança dos consumidores na Grã-Bretanha caiu para níveis não vistos desde a recessão, e a empresa de pesquisa GfK NOP disse à Reuters que o casamento real não deverá reverter essa tendência.

"Poderá representar um fator de bons sentimentos, mas é improvável que as pessoas se sintam mais confiantes sobre suas próprias finanças", disse Nick Moon, diretor do grupo de pesquisa.

Paradoxalmente, o custo da realização da cerimônia vai contribuir para o PIB.

O Middletons e a família real estão pagando pelo serviço, recepção e lua de mel.

Com uma enorme operação de segurança adicionando aos gastos com roupas, flores e entretenimento, o preço para as famílias e contribuintes poderia passar dos 20 milhões de libras. Mas isso não é nada em comparação com a perda de um dia de trabalho.

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