Casas de Pablo Neruda, no Chile, refletem inspiração do poeta

Casas de Pablo Neruda, no Chile, refletem inspiração do poeta

La Chascona, La Sebastiana e Isla Negra representam a alma romântica do escritor cuja morte completou 46 anos na última semana

Larissa Gaspar, Especial para O Estado

17 de outubro de 2019 | 15h12

Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, Pablo Neruda exaltava em sua obra os momentos cotidianos: o mar, as flores, as frutas, o vento, as pessoas e, de forma muito marcante, os lugares onde viveu. Algumas das “Odas Elementares” de Neruda são dedicadas a suas casas no Chile: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, em El Quisco, e La Sebastiana, em Valparaíso. Anos após a morte do poeta, em 23 de setembro de 1973, as propriedades foram conservadas como museus pela Fundação Pablo Neruda e atualmente são pontos turísticos para quem deseja testemunhar a criatividade e o romantismo presentes em sua obra. 

É interessante reservar um tempo na viagem ao Chile para visitar as três casas pois cada uma representa um fragmento da expressão artística do poeta e cada uma é personagem por si. Para compor o estilo das propriedades, Neruda procurou os materiais para a reconstrução, participou dos projetos arquitetônicos e adquiriu objetos para decoração. Alguns itens comuns em La Chascona, La Sebastiana e Isla Negra são uma mesa grande para receber os convidados, um bar e taças coloridas e de formatos diferentes - vindas de diversas partes do mundo -, afinal, além de anfitrião e boêmio, Neruda trabalhou por muitos anos como diplomata chileno. 

No início do tour, cada visitante recebe um audioguia para a visita que dura cerca de uma hora, com opções de áudio em português, inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. Em cada canto da casa, há números indicados nas paredes ou objetos. Basta pressionar o número indicado no controle do audioguia para ouvir as curiosidades sobre a casa, a obra e a vida de um dos artistas mais importantes da América Latina. 

LA CHASCONA

Localizada em Santiago, capital do Chile, La Chascona é uma referência aos cabelos cheios da sua então amante Matilde Urrutia - para quem Neruda construiu a casa em 1963. A construção fica numa viela escondida aos pés do Cerro San Cristóbal, no bairro Bela Vista, e possui escadas em espiral, quartos pequenos e até uma cachoeira - o conjunto contribui para a sensação de se estar num navio - um tributo ao amor de Neruda pelo mar. 

Na primeira parte do tour, está o Bar del Capitán com uma mesa grande e objetos decorativos, a sala de jantar com passagem secreta para o quarto e uma vista para a Cordilheira dos Andes, algo que Neruda solicitou ao arquiteto catalão responsável pelo projeto da casa, Germán Rodríguez. Na área externa há um jardim plantado por Matilde, o Bar de Verão, a Biblioteca e a Sala Francia. 

Ao todo são onze espaços repletos de relíquias como esculturas de madeira, coleções de móveis, talheres e um retrato de Matilde com duas cabeças, pintado pelo artista Diego Rivera, em que se vê Neruda “embaçado” nos cabelos da amante, numa referência ao amor proibido dos dois à época. 

No final do tour, a dica é passear pelo entorno do museu, onde há lojas, restaurantes e murais de artistas chilenos e estrangeiros. 

SERVIÇO

Endereço: Rua Fernando Márquez da Platina 0192, Barrio Bellavista, Providencia, Santiago.

Horário de funcionamento: março a dezembro: de terça a domingo, das 10h às 18h;  janeiro e fevereiro: de terça a domingo, das 10h às 19h.

Ingressos: inteira, US$ 7; meia, US$ 2 

* Estudantes estrangeiros devem apresentar credenciais para estudantes internacionais

Mais informações: fundacionneruda.org/museos/casa-museo-la-chascona.

LA SEBASTIANA 

“Sinto o cansaço de Santiago. Quero encontrar em Valparaíso uma casinha para morar e escrever em silêncio”. Em 1959, Neruda manifestou o desejo de viver perto do mar, num dos cerros de Valparaíso. Localizada no Cerro Florida, perto da Praça dos Poetas, onde há estátuas de Neruda, Gabriela Mistral e Vicente Huidobro, surge La Sebastiana - uma construção entre o céu e o oceano. 

O nome foi uma homenagem de Neruda ao construtor da casa, o espanhol Sebastián Collado, que morreu antes de vê-la finalizada. O arquiteto inseriu paredes curvadas, janelas em arco e móveis de madeira - que também lembram um navio. Em 1961, a casa de cinco andares foi inaugurada, com cômodos que possuem a melhor vista da baía de Valparaíso. 

La Sebastiana abriga fotos antigas do Porto de Valparaíso, coleções de mapas antigos, relíquias do porto, caixas de música e um cavalo de carrossel de madeira, que Neruda encomendou de Paris. Algumas janelas foram feitas na forma de clarabóias de navios, o que confere ao visitante uma experiência de quase 360º do mar.  

Ao fim do tour, vale uma passada na galeria que promove exposições de artes e pedir um café para admirar a vista que inspirou muitos dos poemas de Neruda. 

SERVIÇO

Endereço: Rua Ferrari 692, Cerro Florida

Horário de funcionamento: março a dezembro: de terça a domingo, das 10h às 18h;  janeiro e fevereiro: de terça a domingo, das 10h às 19h.

Ingressos: inteira, US$ 7; meia, US$ 2,5 

* Estudantes estrangeiros devem apresentar credenciais para estudantes internacionais

Mais informações: fundacionneruda.org/museos/casa-museo-la-sebastiana.

ISLA NEGRA

A maior casa de Neruda, e talvez a mais impressionante, é a de Isla Negra, onde ele e Matilde foram enterrados. O costão rochoso e a brisa fria do mar do Pacífico recepcionam o visitante, que também encontra estátuas em tamanho real de sereias, âncoras, conchas gigantes e barcos na propriedade.

Localizada à beira mar de El Quisco, a cerca de uma hora de Valparaíso, Isla Negra começou a tomar forma em 1937, quando Neruda comprou a casa, então uma cabana de pedra, para escrever “Canto Geral”. O poeta observou mais tarde que “a costa selvagem de Isla Negra, com o tumultuado movimento oceânico, me permitiu render com paixão a companhia da minha nova música".

Neruda realizou uma série de extensões como torres, arcos que unem os corpos da casa e um teto de zinco para ouvir a “música da chuva”. Em toda a propriedade se percebe a paixão de Neruda pelo mar: máscaras de proa, réplicas de veleiros, barcos dentro de garrafas e conchas. 

O passeio por Isla Negra pode render um piquenique, já que o trajeto desde Valparaíso é de cerca de 90 quilômetros e há poucas opções de restaurantes ou lanchonetes na região. Para aproveitar a praia, a dica é levar água, lanche e, por que não?, um exemplar de "Memorial de Isla Negra".

SERVIÇO

Endereço: Poeta Neruda s/n, Isla Negra, El Quisco.

Horário de funcionamento: março a dezembro: de terça a domingo, das 10h às 18h;  janeiro e fevereiro: de terça a domingo, das 10h às 19h. Ingressos: inteira, US$ 7; meia, US$ 2

* Estudantes estrangeiros devem apresentar credenciais para estudantes internacionais   Mais informações:  fundacionneruda.org/museos/casa-museo-isla-negra

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