Caso dos Beagles: Royal anuncia fim de pesquisa no interior de SP

Após ser invadido por ativistas em 18 de outubro e ter 178 beagles roubados, o Instituto Royal anunciou nesta quarta-feira, 6, o fim das pesquisas com animais na unidade de São Roque, a 66 quilômetros de São Paulo. Em nota, a direção cita como motivos para o fechamento o "ambiente de insegurança" e "elevadas e irreparáveis perdas sofridas".

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2013 | 20h29

A invasão e a retirada dos cães fizeram com que o instituto perdesse "quase todo o plantel de animais e aproximadamente uma década de pesquisas", segundo a nota divulgada. A interrupção acarretará no desligamento de funcionários, já comunicados da decisão. Foi mantido apenas o Comitê de Ética, formado por veterinários, biólogos e membros da Sociedade Protetora dos Animais. A decisão não afeta, por enquanto, a unidade Genotox, de Porto Alegre, onde não ocorre experimentação em animais.

Na nota, o instituto lembrou que realiza desde 2005 testes pré-clínicos de remédios usados no tratamento de doenças como câncer, diabete, hipertensão e epilepsia, entre outros. Informa ainda que a partir de agora as pesquisas terão de ser feitas fora do País, até que outro laboratório seja credenciado pelo Conselho Nacional de Controle e Experimentação (Concea).

Novo alvo. Enquanto comemoravam o fechamento do Instituto Royal, ativistas elegeram nesta quarta-feira um novo alvo na cidade: os laboratórios da Tecam Tecnologia Ambiental. Segundo eles, a companhia também realiza testes com animais. Com sede em São Paulo, a empresa tem laboratórios e um biotério para criação de roedores em Carmo, zona rural de São Roque.

O promotor Wilson Velasco, que apura denúncias de maus-tratos no Instituto Royal, afirmou que as atividades da Tecam também serão investigadas. "Faremos uma nova reunião e, se houver irregularidade, vamos apurar." A diretora da Tecam, Cíntia Pestana, afirmou que a empresa não usa cães. "Somos uma pequena empresa privada, não recebemos dinheiro público e os únicos animais utilizados são camundongos." Segundo ela, os funcionários estão assustados. "Estamos muito temerosos com essa perspectiva de uma invasão aqui."

Nesta quarta, cerca de 50 ativistas fizeram um protesto na frente do Fórum de São Roque contra a suposta demora na apuração de maus-tratos no Royal. Apesar de ter sido informado de que o instituto havia decidido encerrar as atividades no município, o grupo manteve o ato. O protesto ocorreu sob forte esquema de segurança para a região - 30 policiais militares e 25 guardas municipais isolaram o fórum. A via pública foi interditada e o trânsito, desviado. Em cima de um carro de som, o ativista Leandro Ferro criticou o promotor que apura as denúncias de maus-tratos e disse que ele deveria ser substituído.

Invasão. O Instituto Royal foi invadido em 18 de outubro por ativistas em defesa do direito dos animais que afirmam que os bichos sofriam maus-tratos no local. O grupo, com 80 integrantes, retirou 178 beagles, adultos e filhotes, e vários coelhos. Ratos e camundongos usados em testes foram deixados. O prédio foi arrombado e o laboratório, destruído. Na época, os prejuízos materiais foram estimados em R$ 300 mil.

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