Caso Isabella: desembargador chama promotor e polícia

O pedido de habeas-corpus para libertar pai e madrasta da menina foi impetrado no TJ há três dias

Camila Tuchlinsk, especial para a Agência Estado

10 de abril de 2008 | 13h02

O desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), que está analisando o pedido de habeas-corpus de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, de 5 anos, que morreu após cair do sexto andar onde mora o pai, na zona norte de São Paulo, participa de uma reunião com o promotor Francisco Cembranelli, responsável no Ministério Público Estadual (MPE) pela investigação da morte da criança, e com a delegada-auxiliar do 9º Distrito Policial (DP), Renata Pontes. O desembargador teria chamado o promotor e a delegada com o objetivo de elucidar algumas dúvidas sobre o caso. O pedido de habeas-corpus foi impetrado no TJ há três dias.   VEJA TAMBÉM Polícia prevê 19 depoimentos do caso Isabella nesta semana Investigação sobre morte de Isabela aposta em exame de DNA Vídeo mostra ida de família Nardoni a mercado antes do crime Defesa de Nardoni espera decisão sobre habeas-corpus até 5ª Escute por que crimes assim comovem a sociedade Tudo o que já foi publicado sobre o caso Isabella    A polícia afirma que está perto de esclarecer a morte da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos. Duas testemunhas procuraram o delegado-titular do 8º Distrito Policial (Brás), Roberto Pacheco de Toledo, com importantes revelações sobre o caso. Elas disseram que ouviram de familiares de Alexandre Nardoni detalhes sobre o que ocorreu na noite do crime.   Ex-titular do 9º DP (Carandiru), Toledo conheceu as testemunhas quando trabalhava na delegacia que hoje investiga a morte de Isabella. As testemunhas o procuraram porque confiam no policial e queriam sigilo sobre seus depoimentos. Toledo avisou seus superiores. No fim da tarde de ontem, o atual delegado-titular do 9º DP, Calixto Calil Filho, deslocou-se até o 8º DP para ouvi-las. A polícia espera poder anunciar ainda hoje o avanço sobre a investigação do crime, com os primeiros resultados do exame de DNA nos vestígios de sangue encontrados pelos peritos. Isabella morreu após cair do 6º andar, no dia 29 de março. No apartamento, no Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte, vivem o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, de 29, e sua madrasta Anna Carolina Jatobá, de 24, com dois filhos do casal. Alexandre e Anna Carolina estão presos desde o dia 3. "A cada dia que passa estamos sentindo que estamos perto de elucidar o caso", disse Calixto Calil Filho. "Acho que vai ser possível mostrar a cena do crime, quem fazia parte dela e o que aconteceu, exatamente", afirmou o promotor Francisco Cembranelli. Na quarta-feira, 9, a polícia ainda ouviu o depoimento de um pedreiro, que teria trocado a porta do apartamento de Alexandre. Já o tenente Fernando Neves Brás foi ao 9º DP rebater as declarações de parentes da madrasta. O pai de Nardoni afirmou a emissoras de TV que, no dia do crime, a polícia não revistou o edifício onde ocorreu a tragédia. Segundo Brás, houve, sim, uma revista minuciosa. O tenente disse ainda que, naquele dia, Alexandre parecia transtornado. "Ele me falava: ‘Seu guarda, diz para mim que o coraçãozinho da minha filha ainda está batendo’. Naquele dia, ele seria a última pessoa de quem eu poderia desconfiar."

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