Catálogo disponibiliza informações sobre 1.297 espécies de peixes marinhos

Qualquer pesquisador, estudante ou curioso, que precise consultar a lista completa de espécies de peixes marinhos brasileiros está a apenas alguns clics das informações básicas, sem necessidade de acessar ou manipular diretamente as coleções, constituídas ao longo de dezenas de anos e guardadas nas principais instituições de pesquisa do país. A outra opção é recorrer ao Catálogo das Espécies de Peixes Marinhos do Brasil, a versão impressa do banco de dados on line, publicada em outubro último. Ali constam 1.297 espécies, sendo 4 espécies de lampréias e peixes-bruxa, 139 de tubarões e raias e 1.155 de peixes ósseos.Estes são os dois principais resultados dos seis primeiros anos de pesquisa do projeto ?Conhecimento, Conservação e Utilização Racional da Diversidade da Fauna de Peixes do Brasil?, financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo Ministério da Educação, e coordenado pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), com estreita colaboração de diversas outras instituições afins. Onze autores foram responsáveis pelo inventário, que percorreu os 8 mil km de costa, desde o Cabo Orange até Chuí. A edição é de Naércio Aquino Menezes e José Lima de Figueiredo, ambos do Museu de Zoologia da USP, Paulo Andreas Buckup, do Museu Nacional do Rio de Janeiro e Rodrigo Leão de Moura, do Programa Marinho da Conservation International do Brasil (CI). A última tentativa de unificar as coleções numa única listagem é da década de 40, quando foram catalogadas 578 espécies de peixes marinhos, menos da metade da lista atual.?O mais importante é que, com a informatização de todas as coleções e o banco de dados ativo, também as informações que forem obtidas a partir de agora, com novas coletas, serão automaticamente incorporadas e estarão disponíveis em tempo real, facilitando as pesquisas?, observa Leão de Moura. Isso já acontece também com a lista de peixes brasileiros de água doce, que ainda é parcial e será objeto da próxima etapa de estudos e sistematização de informações, devendo resultar também num catálogo impresso, ainda sem data de publicação.No decorrer do inventário, conta Leão de Moura, verificaram-se diversas lacunas em termos de coleta, ou seja, localidades ou tipos de ambiente, que nunca haviam sido visitados por cientistas ou com poucos espécimens coletados e identificados. Algumas expedições foram, então, organizadas com o objetivo de preencher estas lacunas, revelando espécies novas, incluindo algumas de interesse comercial, pesqueiro ou ornamental.?Graças a estas coletas, a lista de espécies de recifes, por exemplo, aumentou cerca de 10% e, no caso dos peixes de águas profundas, possivelmente mais do que isso?, acrescenta o pesquisador. Ele destaca, entre as espécies novas de interesse comercial, os peixes luminosos de águas profundas, base da alimentação dos atuns, cuja conservação é crítica para a indústria pesqueira, e os budiões, por apresentar um número maior do que o esperado de endemismos (espécies exclusivas de uma localidade). A faixa costeira do Brasil, por sinal, concentra altos níveis de endemismo entre as espécies de recifes. Pelo menos 50% dos corais e 20% dos peixes de recifes da costa brasileira não são encontrados em outros oceanos, apesar da área total de recifes corresponder a apenas 5% do total do Oceano Atlântico. Conforme indica o catálogo, 243 dentre as espécies recifais listadas (20% do total) são exclusivas da costa atlântica da América do Sul e, destas, 123 só existem no Brasil, razão pela qual os recifes são considerados pela Conservation International como áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade marinha mundial. Acesso ao banco de dados sobre espécies de peixes: http://www.mnrj.ufrj.br/pronex/Aquisição de exemplares do catálogo impresso: Biblioteca do Museu de Zoologia da USP Fone: (11) 6165- 8121 Email: mcbsilva@usp.br

Agencia Estado,

13 de novembro de 2003 | 17h17

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