Células-tronco são produzidas por clonagem

Pela primeira vez, cientistas usaram técnicas de clonagem para fazer com que óvulos humanos gerassem células-tronco embrionárias contendo genes de pacientes específicos. Trata-se de um avanço importante em direção ao objetivo de se criar células-tronco geneticamente compatíveis para o tratamento de doenças graves.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2011 | 03h07

"Esse trabalho demonstra, pela primeira vez, que óvulos humanos possuem a habilidade de transformar uma célula especializada em célula-tronco", afirmou Dieter Egli, da Fundação de Células-Tronco de Nova York, que liderou o estudo, descrito em artigo na revista Nature.

Até agora, cientistas só haviam conseguido produzir células geneticamente anormais, úteis apenas para fins de pesquisa. As células-tronco embrionárias podem, em tese, transformar-se em qualquer tecido do organismo. Portanto são consideradas uma fonte promissora de terapias regenerativas.

Mas, apesar de o trabalho de Egli e seus colegas ter evitado temores de que se estariam clonando seres humanos, ao produzir células com embriões não viáveis, ele gerou novas preocupações de ordem ética, em um campo já bastante polêmico. Isso porque, pela primeira vez, cientistas pagaram mulheres pelos seus óvulos - o que pode estimular acusações de exploração.

Além disso, para chegar a essas células, os pesquisadores tiveram de produzir e destruir embriões mutantes, o que dá vazão a críticas de ordem moral. Entretanto, os pesquisadores responsáveis e colegas que não participaram do estudo afirmam que o trabalho é eticamente defensável, por seu potencial de curar o sofrimento de pacientes.

Opositores desse tipo de pesquisa questionaram não apenas a moralidade do experimento, mas também o seu valor científico. "Não acreditamos que se deva criar novos seres, por meio desse processo de clonagem, para depois destruí-los e coletar suas células", afirmou David Prentice, do Family Research Council, grupo conservador cristão dos Estados Unidos.

Mesmo quem apoia o estudo das células-tronco se disse desconfortável pelo fato de óvulos terem sido comercializados. "Pagar por órgãos é controverso", disse Jonathan Moreno, professor de bioética da Universidade de Pensilvânia. "Sempre senti que seria melhor deixar esse campo fora dessas áreas de debate. Já temos problemas demais." / N.Y. TIMES E WASHINGTON POST

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