Cemitérios farão teste de câmeras

Vigilância começa em três locais de São Paulo na segunda-feira

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

No próximo Dia de Finados, segunda-feira, o Serviço Funerário Municipal de São Paulo vai testar em três dos 22 cemitérios públicos da capital um sistema de vigilância por câmeras, medida de segurança ensaiada pelo governo municipal desde 2007. O monitoramento por imagens é tido como principal arma para coibir os furtos de peças de jazigos e túmulos, crime que, além de destruir o patrimônio da cidade, atrapalha os planos de transformar os locais históricos em pontos turísticos.

"Resolver a questão da segurança nos cemitérios, que já melhorou muito nos últimos anos, é um passo importante para incentivar o turismo nesses locais, a exemplo do que já ocorre em Buenos Aires e em Paris", avalia o superintendente do Serviço Municipal, Celso Jorge Caldeira, que há dois anos tenta implementar a vigilância eletrônica nas áreas, mas encontrou dificuldades em encontrar tecnologia adequada aos espaços.

Segundo Caldeira, o monitoramento por câmeras em cemitério é diferente do adotado no resto da cidade. "Os relevos são variados. Um mausoléu pode atrapalhar a vigília e, como muitos são tombados, não podemos fazer obras que comprometam as estruturas", diz.

No primeiro semestre deste ano, foram registrados 25 furtos em cemitérios, cinco a menos do que no mesmo período do ano passado. Apesar da ligeira queda, as ocorrências continuam concentradas em oito cemitérios, os mais tradicionais da cidade, que preservam obras de arte, peças de bronze e traços da história da arquitetura paulistana - Araçá, Consolação, Quarta Parada, Santana, Santo Amaro, São Paulo, Vila Mariana e Tremembé.

Durante o feriado, serão testadas três formas diferentes de monitorar as áreas nos cemitérios selecionados (que não tiveram os nomes revelados por medidas de segurança). Com isso, o Serviço Municipal espera encontrar o sistema mais adequado para contemplar os espaços. Jayme Adissi, ex-presidente do Sindicato dos Cemitérios Particulares (Sincep) e que trabalha na área há 30 anos, afirma que os furtos em cemitérios começaram a ganhar força há uma década. "Ainda é relativamente novo", acredita.

O presidente do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos (Sindguarda), Carlos Augusto Silva - a GCM é responsável pela ronda nos cemitérios -, lembra que os crimes estão atrelados a problemas sociais graves - são, na maioria, cometidos por usuários de drogas para sustentar o vício ou por moradores de rua.

Os cemitérios alvos de furtos estão concentrados em áreas centrais. Por isso, o superintendente Caldeira acredita que transformar os espaços em pontos turísticos exige a transformação também do entorno. As visitas monitoradas já ocorrem de forma efetiva no Consolação, onde estão os túmulos de 30 artistas modernistas, como Tarsila do Amaral (1886-1973) e Oswald de Andrade (1890-1954).

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