Centrais sindicais bloqueiam Porto de Suape

Debaixo de chuva, às quatro horas da manhã desta quinta-feira, 11, trabalhadores de três centrais sindicais começaram a bloquear os três acessos do complexo industrial e portuário de Suape, no município de Ipojuca, a 55 km do Recife. Nenhum veículo nem ônibus que transportam trabalhadores puderam entrar no complexo, onde trabalham 75 mil pessoas - 25 mil em 105 empresas em operação e 50 mil em 50 empresas em construção.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

11 de julho de 2013 | 10h52

Não houve conflitos. Muitas empresas liberaram os trabalhadores diante do anúncio da mobilização sindical no Dia Nacional de Luta. Na entrada principal, em uma via interna do complexo, a TDR Norte, foram queimados pneus. Segundo o diretor de relações sindicais da Força Sindical, Leodelson Bastos, o bloqueio será mantido até o meio-dia, quando os trabalhadores irão para uma passeata no centro do Recife, aglutinando também movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Via Campesina, médicos e estudantes.

Às 5h30, Elias Gomes, operador de máquinas da empresa Amanco, aguardava, dentro de um ônibus a liberação da empresa. "Saí de casa às quatro horas, estamos aqui parados no bloqueio esperando orientação, mas acho que voltaremos para casa". Ele trabalha no turno das 5h30 às 13h30. A direção do Porto de Suape estima que não haverá prejuízo nas importações e exportações do complexo com a paralisação de um turno nas importações e exportações do complexo, que trabalha 24 horas.

Na entrada principal do porto, o caminhoneiro mineiro Sérgio Nonato dos Santos, 53 anos, aguardava, pacientemente, ao lado do filho de três anos, que o bloqueio o deixasse passar com um carregamento de farelo. Depois de passar quatro dias parado na BR-116, na Bahia, diante das manifestações de caminhoneiros, ele demonstrava esperança: "é para melhorar o País, é importante", afirmou ele, que reclama melhoria das estradas, redução do preço do combustível e aumento do frete.

De sapato alto vermelho e maquiado, o professor municipal Flávio Barreto, 30 anos, virou atração do bloqueio. "Saí de casa Flávio e aqui fui batizado de Dilma", disse ele, que saiu de Escada, município próximo, para apoiar o movimento. "Ou Dilma melhora ou vai perder a cadeira dela", afirmou o operador de rolo compressor José Luiz da Silva, 29 anos, referindo-se à presidente de verdade. Uma faixa dava o recado dos manifestantes para a presidente: "Dilma, tá na hora de ouvir quem realmente dá duro pelo crescimento do Brasil".

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