Cerca de 6 mil ocupam principais vias de Belo Horizonte

Cerca de 6 mil manifestantes, de acordo com estimativa da Polícia Militar (PM), ocuparam nesta quinta-feira algumas das principais vias de Belo Horizonte em adesão ao Dia Nacional de Lutas, que resultou em protestos em diversas cidades de pelo menos 23 Estados. Antes mesmo de saíram às ruas da capital de Minas Gerais, porém, os manifestantes conseguiram o que consideraram um "princípio de vitória".

MARCELO PORTELA, Agência Estado

11 de julho de 2013 | 18h36

Logo no início da manhã, representantes da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais receberam líderes das entidades envolvidas no ato e se comprometeram a identificar e tentar pôr em votação projetos que fazem parte da pauta de reivindicações dos manifestantes e que estão parados na Casa.

Além da capital de Minas, foram realizadas manifestações em Contagem, na região central do Estado; Ipatinga, no Vale do Rio Doce; Governador Valadares, no interior mineiro; Varginha, no Sul de Minas Gerais, entre outras. A reunião com os deputados estaduais ocorreu pouco antes de integrantes de pelo menos 20 sindicatos ligados a seis centrais sindicais, além de movimentos sociais e entidades da sociedade civil organizada, se concentrarem na Praça Sete de Setembro, no centro da capital mineira.

De lá, o grupo saiu em passeata por diversas regiões da capital para protestar em frente a prédios considerados símbolos de poder, como a prefeitura, a Assembleia Legislativa e a sede do Banco Central (BC) na cidade - do qual os manifestantes conseguiram retirar as bandeiras oficiais e estender outras de entidades que participavam do ato, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Pela manhã, o dia prometia ser tumultuado no município. O metrô não funcionou - apesar de decisão judicial determinar escala mínima para operação dos trens - e rodoviários impediram que ônibus deixassem as Estações BHBus Barreiro, Venda Nova e Diamante, onde são feitas ligações de linhas de bairros mais afastados com a região central.

Parte do comércio ficou fechada durante quase toda a manhã, assim como as agências bancárias do centro. No início da tarde, porém, apenas o metrô e os bancos do centro permaneciam sem funcionar. Integrantes do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde) também afirmaram que iriam aderir à paralisação nacional, mas, de acordo com a assessoria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o atendimento não foi afetado nas unidades do Estado. No Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte, por exemplo, dos 56 profissionais da emergência, seis não compareceram ao trabalho.

A maior adesão sucedeu entre os técnicos do bloco cirúrgico, onde faltaram sete dos 14 profissionais, mas nenhuma operação foi cancelada. De acordo com a polícia, nem mesmo no trânsito houve dificuldades sérias. Segundo o chefe do Comando de Policiamento Especializado (CPE) da PM, coronel José Vieira de Carvalho Júnior, havia muito menos carros nas ruas da capital nesta quinta. "As escolas já estão de férias e as pessoas evitaram sair de casa", observou. Carvalho Júnior afirmou que também não houve registro de ocorrências durante as passeatas.

Reivindicações

Apesar de se comprometerem a tornar ágil a tramitação de projetos incluídos na pauta dos manifestantes, os deputados mineiros só começarão a trabalhar sobre as questões em agosto, uma vez que na próxima semana tem início o recesso legislativo. Entre as reivindicações, estão a aprovação do projeto que adota seis pisos salariais diferentes, mudanças na proposta que altera a Lei Orgânica da Polícia Civil que tramita na assembleia, anistia aos professores da rede estadual que fizeram greve de mais de cem dias no Estado em 2011 e textos que tratam de Reforma Agrária, Agricultura Familiar, Educação, Saúde e Transporte.

Além destas, também faziam parte da manifestação na capital reivindicações nacionais, como o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho sem mudança nos salários e investimentos para assegurar qualidade a serviços públicos como Saúde e Educação. "Queremos respostas rápidas sobre questões como o passe-livre, o transporte público de qualidade e a redução das tarifas de energia", observou a presidente da Central Única dos Trabalhadores em Minas Gerais (CUT-MG), Beatriz Cerqueira. "Também é preciso valorizar os servidores", acrescentou o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco/MG), Lindolfo Fernandes de Castro.

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