Cerca de 80% dos casos são de recém-nascidos

Só no primeiro semestre deste ano, foram registrados 593 casos de coqueluche, número superior às 588 ocorrências observadas em 2010. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2011 | 03h05

Mais de 80% dos casos afetaram bebês com menos de seis meses, janela de vulnerabilidade que as vacinas atuais são incapazes de fechar. "Recomenda-se a vacinação dos adultos que convivem com a criança", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.

"Em mais da metade dos casos, o bebê contrai a doença da própria mãe. Cerca de 20% das vezes, do pai e, em 15% dos casos, dos irmãos. Ou seja, mais de dois terços das infecções ocorrem dentro da família."

Renato recorda que quase todas as pessoas já tomaram a vacina para coqueluche quando crianças, mas a proteção dura só dez anos e não há costume de renovar a imunização. A coqueluche é uma doença altamente infecciosa transmitida pelo ar. Provoca tosses contínuas e dolorosas, mas não chega a colocar em risco a vida de adultos. No entanto, pode ser letal para bebês.

A vacina para adultos é diferente da usada para crianças. Ela não contém bactérias Bordetella mortas, pois poderiam produzir uma resposta imunológica violenta, com maior risco de efeitos adversos. Carrega só antígenos da bactéria - proteínas que tornam o microrganismo reconhecível às defesas do organismo.

Contudo, a imunização para adultos não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). É preciso recorrer a uma clínica particular para receber a dose, que custa cerca de R$ 100.

A pesquisadora Luciana Cezar de Cerqueira Leite, responsável pela nova vacina em desenvolvimento no Butantã, recorda que tanto a vacina BCG ( contra a tuberculose) quanto a DTP (que imuniza crianças contra difteria, tétano e coqueluche) custam em torno de R$ 0,20.

"Se tudo der certo, nossa vacina terá um custo semelhante", afirma. Mesmo assim, a criança continuaria tomando a DTP. "A nova vacina servirá para proteger a criança nos seis primeiros meses, enquanto a DTP não atua." / A.G.

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