Cerco aos maus policiais

A prisão de 10 policiais militares (PMs) e 1 guarda-civil, além do pedido de prisão de mais outros 7 PMs pelo Ministério Público Estadual (MPE), todos acusados de participar de chacinas na Grande São Paulo que chocaram a opinião pública nos últimos dois meses – em particular a que deixou 19 mortos em Osasco e Barueri –, indicam que as investigações para esclarecer esses crimes e punir com rigor seus culpados estão no caminho certo. A demora da força-tarefa montada pela Secretaria da Segurança Pública em apresentar resultados já estava causando apreensão.

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2015 | 03h00

Ao mesmo tempo a força-tarefa cumpria, em 36 locais, 28 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Depois de periciado, o material apreendido – armas, celulares, roupas – poderá levar a novas prisões ou reforçar as provas e indícios que pesam contra os já presos. O importante não é apenas a dimensão que a ação policial, respaldada pelo MPE e a Justiça comum e a Militar, vem tomando. É também a posição de autoridades da área de segurança pública, que, antes cautelosas, já admitem claramente o envolvimento de PMs nos crimes.

No caso de Osasco e Barueri, o próprio secretário de Segurança, Alexandre de Moraes, afirma que “há uma clara conexão entre as mortes do PM e do guarda-civil (ocorridas pouco antes) com os assassinatos”. Esses assassinatos ocorreram, não por acaso, nos dias seguintes (8 e 12 de agosto) aos das mortes, respectivamente, do PM Avenilson Pereira de Oliveira, num posto de gasolina em Osasco, e do guarda-civil Jeferson Rodrigues da Silva, em um assalto em Barueri. Por esse crime foram presos cinco PMs e um guarda-civil, além de outros dois PMs, em cujas casas foram encontradas armas e munições irregulares, iguais às usadas pelos outros, e que por isso são suspeitos de também ter participado dele.

O corregedor da PM, coronel Levi Félix, não hesita em dizer que os suspeitos tiveram “um comportamento abominável”, acrescentando que são “pessoas que conhecem o funcionamento do sistema (policial). Tanto que deixaram poucos rastros”. Por isso, queixa-se da insuficiência de provas contundentes, embora existam indícios e contradições em depoimentos, além de testemunhos, capazes de sustentar a investigação.

Segundo a delegada Elisabete Sato, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), porém, as provas já começam a aparecer, como os laudos balísticos, que permitem concluir que as mesmas armas foram usadas em locais diferentes durante a chacina, numa forte indicação de que os crimes foram praticados por um mesmo grupo. Por isso, acrescentou, as investigações tomaram um novo rumo e mais policiais poderão ser presos em breve.

Outro dado a ser assinalado é que, ao que tudo indica, as autoridades não querem se restringir à chacina de Osasco e Barueri, o mais importante dessa série de lamentáveis episódios, mas aproveitar a oportunidade para ir mais fundo no esforço para livrar a polícia de suas ovelhas negras. Além dos acusados por aquela chacina, mais três PMs foram presos, estes suspeitos de participar de outra chacina, esta em Carapicuíba, no mês passado, quando quatro jovens que trabalhavam numa pizzaria foram mortos, porque um deles teria roubado a bolsa da mulher de um policial.

Finalmente, com relação a mais um crime que também causou grande impacto – a fria execução por PMs de dois jovens que participaram de um assalto no Butantã, em 7 de setembro, já rendidos, filmada por uma testemunha –, a ação das autoridades tem sido rigorosa. Primeiro, a Justiça Militar decretou a prisão de 11 PMs suspeitos de envolvimento direto ou indireto no crime. Depois, o MPE pediu a prisão preventiva de mais 6 PMs pelo mesmo motivo.

O que se espera é que, com a punição exemplar dos responsáveis por esses crimes, o poder público dê uma demonstração de que está firmemente decidido a livrar a polícia de seus maus elementos. Isso é essencial para preservar a credibilidade da instituição.

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