Cérebro de psicopatas tem conexões defeituosas, diz estudo

Psicopatas que matam e estupram têm falhas nas conexões entre a parte do cérebro responsável por emoções e a que controla impulsos e decisões, segundo cientistas.

KATE KELLAND, REUTERS

07 Agosto 2009 | 21h12

Em estudo com psicopatas que cometeram diversos crimes, cientistas britânicos notaram "buracos" nas vias que ligam duas áreas cruciais do cérebro, ao contrário do que ocorria com não-psicopatas.

O estudo abre a possibilidade de futuros tratamentos para psicopatas perigosos, segundo Michael Craig, do Instituto de Psiquiatria do Hospital King's College, de Londres, e isso pode ter profundas implicações para médicos, pesquisadores e juristas.

"Essencialmente, o que encontramos é que as conexões dos psicopatas não eram tão boas quanto as conexões dos não-psicopatas. Eu as descreveria como estradas entre as duas áreas. E descobrimos que nos psicopatas as estradas tinham buracos e não eram muito bem conservadas", afirmou ele à Reuters.

Mas os cientistas alertam que a pesquisa não mostra como, quando e por que tais problemas surgem. Portanto, descartam eventuais testes que possam predizer o potencial criminoso de uma pessoa.

"A questão mais excitante agora (...) é quando os buracos aparecem -- as pessoas nascem com eles, ou os desenvolvem no começo da vida, ou são consequência de outra coisa?"

Craig, autor do estudo publicado na revista Molecular Psychiatry em conjunto com seus colegas Declan Murphy e Marco Catani, salientou que a amostra do estudo com tomografias cerebrais foi pequena -- apenas nove psicopatas e nove outras pessoas normais.

"Tentar levar pessoas desse tipo em particular para participar de um estudo, e também lidar com toda a segurança necessária para colocá-las em um tomógrafo cerebral não é algo fácil", disse ele.

O estudo usou um novo método de obtenção de imagens cerebrais, depois que pesquisas anteriores já haviam demonstrado que os psicopatas têm diferenças estruturas e funcionais em pelo menos duas partes do cérebro: a amídala, responsável por emoções, e o córtex orbitofrontal, envolvido nos impulsos e decisões.

"Até recentemente não havia tecnologia disponível para examinar as conexões entre essas duas áreas do cérebro de maneira significativa", disse Craig.

A nota técnica de ressonância magnética, conhecida pela sigla DT-MRI, permite que os cientistas examinem no trato de matéria branca que liga as duas zonas cerebrais,

Além de encontrar claros déficits estruturais no trato de matéria branca, os pesquisadores também concluíram que a anormalidade era significativamente vinculada ao grau de psicopatia.

"Quanto ao significado moral para a sociedade, e como a sociedade quer lidar com essas coisa, isso é um pouco prematuro", disse Craig. "Trata-se de um estudo pequeno, e o importante é que ele aponta que é preciso realizar mais pesquisas".

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