Cérebro de rato é tratado com célula-tronco humana

Células-tronco humanas retiradas de fetos e embriões retardaram em ratos o aparecimento de uma doença fatal, avançando pelo cérebro para assumir o trabalho de neurônios danificados, disseram cientistas no domingo, 11.Segundo os pesquisadores, esse trabalho, publicado na revista Nature Medicine, representa a primeira vez que uma célula-tronco embrionária humana trata com sucesso uma doença em animais.Evan Snyder, do Instituto Burnham de Pesquisa Médica em La Jolla, na Califórnia, responsável pelo estudo, disse que sua equipe espera em breve testar seu método em crianças vítimas de uma doença cerebral fatal e incurável, chamada mal de Sandhoff.Em seu artigo, os cientistas disseram também que essa abordagem pode levar a novas formas de tratar diversas doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e Lou Gehrig (esclerose lateral amiotrófica). Para o seu estudo, Snyder e seus colegas usaram ratos cultivados com uma forma equivalente ao mal de Sandhoff."Crianças com a doença têm grave retardamento mental e disfunção motora, e a morte tipicamente ocorre na infância", disseram os pesquisadores, entre os quais cientistas das universidades de Oxford (Reino Unido) e Yonsei (Coréia do Sul), entre outras. A enfermidade em questão se caracteriza por uma inflamação que mata as células cerebrais.A equipe de Snyder usou células-tronco embrionárias, retiradas de embriões humanos com alguns dias de vida, que sobram em clínicas de fertilidade, e também células-tronco de fetos humanos.O grupo transplantou essas células para o cérebro de ratos e notou que não havia problemas. Não se formaram tumores, os ratos não "rejeitaram" as células estranhas e o tratamento pareceu reduzir a inflamação.Os ratos tratados viveram 70% a mais do que os não tratados. A doença acabou voltando, mas Snyder acredita que ela poderia ser mantida à distância com injeções de reforço das células-tronco, que substituiriam as funções das células cerebrais naturais que sofrem mutações.As células-tronco são muito valorizadas pelos cientistas porque contêm um "manual de instruções" de todo o organismo, podendo dar origem a uma ampla variedade de órgãos e tecidos.

Agencia Estado,

12 de março de 2007 | 12h01

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