Cerimônia simples. E emoção com Mandela

Aos 91 anos, símbolo da luta contra o apartheid não foi ao evento, mas deixou mensagem que comoveu a plateia

Almir Leite, CIDADE DO CABO, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

A África do Sul deu início de maneira efetiva ontem à Copa de 2010 com uma cerimônia simples, rápida, que teve como momento de emoção maior a mensagem de Nelson Mandela. O símbolo da luta contra o Apartheid, porém, não estava no Centro de Convenções da Cidade do Cabo. Debilitado pela idade, 91 anos, brindou a plateia com depoimento por meio de vídeo. Causou comoção.

A definição dos grupos do Mundial também não provocou grandes reações. A rigor, as bolinhas não apontaram nenhum grupo da morte. Todas as chaves são equilibradas e de certa forma sem grandes complicações para os cabeças - com exceção da frágil anfitriã África do Sul. O Brasil ficou no Grupo G, com a Coreia do Norte (estreia dia 15 de junho, no Ellis Park, em Johannesburgo), a emergente Costa do Marfim (adversária do dia 20, no Soccer City, na mesma cidade) e o irregular Portugal (terceiro jogo, dia 25, em Durban).

Na teoria, dos favoritos o grupo mais difícil é o da Argentina - o B, com Nigéria, Grécia e Coreia do Sul -, e o mais fácil da Espanha, o H, com Honduras, Suíça e Chile. Dessa chave sairão os adversários da chave do Brasil nas oitavas de final.

A cerimônia começou pontualmente às 19 horas locais ontem (15 horas de Brasília), fator destacado pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma, em seu discurso - obras em alguns estádios e de infraestrutura estão atrasadas. A apresentação pré-sorteio foi marcada pela exibição de artistas do país e de alguns vizinhos e por imagens que mostram o continente africano. Só lado bom.

Em meio a tudo isso, o ponto alto do sorteio. A mensagem de Nelson Mandela. Voz cansada, aparência debilitada, mas, sereno, ele falou do fato de o esporte servir como fator de união dos povos. "O futebol ocupa um lugar especial no coração dos africanos. Por isso, é importante a celebração da primeira Copa em nosso continente." O líder da luta contra a segregação racial no país lembrou a dura caminhada até a liberdade. "O povo africano aprendeu toda uma lição de paciência e determinação. Oxalá que a recompensa que esse Mundial trará demonstra que a espera pela chegada ao continente valeu a pena."

A entrada da deslumbrante atriz Charlize Theron, vestindo um belíssimo vestido vermelho, também despertou a plateia. E provavelmente empolgou o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, responsável pela definição das chaves, que ao ser chamado ao palco apresentou-se dando um beijo bastante sonoro na estrela sul-africana. Os convidados riram de maneira maliciosa e Theron ficou um pouco sem graça. Mas demonstrou jogo de cintura. E chamou rapidamente o início do sorteio.

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