Pablo Valadares/AE
Pablo Valadares/AE

Cerrado terá mais áreas de preservação

Medida é a principal do plano de combate ao desmate do bioma, que perdeu 50% da vegetação nativa; corte de crédito a produtor ficou de fora

Marta Salomon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

A criação de novas áreas de preservação ambiental em tamanho equivalente a 17 vezes a cidade de São Paulo no período de dez anos é a principal medida do plano de combate ao desmatamento do Cerrado, anunciado ontem para reduzir em 40% o ritmo de corte da vegetação nativa no bioma até 2020.

O corte de crédito a produtores que não respeitam a legislação ambiental, defendido pela ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, não integrou o pacote por pressões do Ministério da Agricultura e de proprietários de terra da região, entendida como a principal fronteira agrícola do País.

"Restrições ao crédito vão depender de resolução do Conselho Monetário Nacional e ainda estão em debate", disse Mauro Pires, diretor do departamento de políticas para o combate ao desmatamento. O corte de crédito foi adotado em plano semelhante editado para a Amazônia no início de 2008.

O Cerrado registra o mais acelerado ritmo de desmatamento entre os biomas brasileiros. Dados oficiais apontam que ele perdeu quase metade da vegetação nativa. Novo levantamento deve ser divulgado no mês que vem.

Os proprietários de terras no bioma estão obrigados a preservar 20% dessa vegetação (contra 80% de reserva legal na Floresta Amazônica), mas o plano lançado ontem, com base nas metas do clima, prevê que o ritmo de devastação caia "pelo menos" para 8,7 mil km² por ano em dez anos. Ou cerca de seis vezes a cidade de São Paulo.

"Não dá para usar a mesma estratégia da Amazônia no Cerrado, porque a exigência de reserva legal é menor e a maior parte da área é propriedade privada", disse Pires.

Sem aval para conter imediatamente o crédito a produtores que desmatam irregularmente, o plano se baseia na criação de 25 mil km² de novas unidades de conservação - insuficiente para atender as metas do clima - e na demarcação de 55 mil km² de terras indígenas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.