'Certificado custou R$ 2,7 mil'

Docente diz que colou grau, não recebeu diploma e comprou documento

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

07 Março 2012 | 03h01

Uma mistura de vergonha e arrependimento carrega a voz da professora A.G., de 54 anos. "Fiz uma burrada, sinto-me uma idiota, humilhada", repete sem parar.

Em junho de 2011, começou a dar aulas em uma escola na zona sul da capital paulista como temporária da rede municipal. O emprego durou três meses: a Secretaria de Educação descobriu que o diploma era falso. Abriu um processo e depois anulou o contrato.

A.G. admitiu ao Estado que comprou o diploma, mas se diz vítima da própria ingenuidade. Conta que terminou o curso em 2005 - licenciatura em Ciências, Física e Matemática -, mas a instituição não lhe entregava o certificado por causa de uma dívida inexistente de R$ 21 mil. Enquanto isso, a Prefeitura exigia o documento.

"Fui desesperada na faculdade, ninguém me atendia. Um homem se aproximou e falou que trabalhava na faculdade e se eu arrumasse um valor, ele me traria o diploma lá de dentro. Então paguei R$ 2,7 mil. Ele me trouxe um diploma, com assinatura, carimbo e tudo", diz. "Entreguei à Prefeitura e deu tudo errado."

O homem sumiu. A instituição (antiga Scelisul e atual Faculdades Integradas do Vale do Ribeira, câmpus de Registro, interior de São Paulo) informou à Prefeitura que o papel não tinha validade e A.G. não era titulada. Ela nega. "Tenho meus colegas de classe para provar que estudei e fiz a colação de grau."

Histórico. A.G. entregou o diploma ao governo do Estado. Com o título, dá aulas para a 5.ª série em uma escola de Itapecerica da Serra, Grande São Paulo. A secretaria estadual informou que vai apurar a situação e se recusou a dar informações do histórico dela.

A professora teria feito a faculdade quando morava em Barra do Turvo, cidade a 130 km de Registro. Ela insiste na versão de que colou grau, mas admite que talvez ainda tenha alguma disciplina a cursar. "Meu medo agora é de eles dizerem que tenho de fazer um monte de matérias."

Na Scelisul, a história de que A.G. comprou o diploma é conhecida até pelos atendentes. A faculdade, entretanto, não deu informações sobre a situação dela. "Queria que me dissessem o que posso fazer para resolver", diz a docente.

A professora mora no Jacira, bairro de Itapecerica, com dois dos cinco filhos. Ela não esperou pelos próximos acontecimentos e já se cadastrou em um site de empregos. "Não sei o que fazer, nem sei como vou me sustentar."

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