''Cervejinha não tem problema, o que não pode é beber engradado''

Ricardo Teixeira critica Adriano por nova confusão e diz que ''quem não se enquadrar no espírito'' não joga na seleção

Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2010 | 00h00

A situação de Adriano na seleção parece cada vez mais crítica. Se Dunga já havia ficado irritado com as baladas confusas do atacante, quem agora resolveu entrar no assunto foi o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Ele não mediu palavras para advertir o atacante do Flamengo. "Beber uma cervejinha não tem problema, o que não pode é beber um engradado", declarou o dirigente.

Teixeira foi ríspido na resposta quando indagado sobre incidentes recentes com Adriano por causa do excesso de bebidas alcoólicas. Decidiu adotar essa posição por causa de especulações de que a preparação para o Mundial de 2010 poderia ser comprometida com a convocação de quem não se enquadrasse "no espírito da seleção".

Teixeira fez alusão ao tema ao saber da opinião do médico do Flamengo e da seleção, José Luiz Runco, de que todo jogador de futebol bebe uma cervejinha. "Que jogador não bebe? Você conhece algum? Se as pessoas forem se preocupar com isso é melhor acabar com o futebol brasileiro, com o futebol mundial", disse Runco, na tarde de ontem. O médico ainda declarou não ver motivos para recomendar diminuição no consumo de álcool por parte do atleta.

De acordo com Runco, o atacante poderia ter entrado em campo ontem com o restante do time do Flamengo para enfrentar o Caracas, pela Libertadores, na Venezuela. "Ele não tinha como viajar, porque não estava se sentindo feliz. Se fosse por questão física, entraria normalmente. Mas agora parece que resolveu o problema e está preparado para jogar domingo (contra o Vasco, pelo Carioca)."

Irritado com as declarações de Runco, o presidente da CBF, num dos momentos de sua entrevista durante workshop de marketing da Copa de 2014, ressaltou que não vai deixar que fatos ocorridos no Mundial de 2006 apareçam novamente na seleção. "Eu já disse e vou repetir: aquela fase de festas e pessoas chegando às quatro da manhã acabou." Em seguida, Teixeira afirmou que confia no trabalho que o Flamengo vem fazendo para recuperar Adriano. "Tenho certeza de que estão cuidando bem dele."

PARREIRA TAMBÉM OPINA

A relação de Carlos Alberto Parreira com o futebol brasileiro é histórica e, por isso, não impede que o atual técnico da África do Sul, mesmo em entrevista coletiva sobre a preparação de sua equipe para o Mundial, trate de temas polêmicos e delicados que dizem respeito a outra seleção. Não se esquivou de falar sobre a última confusão em que Adriano se envolveu e pareceu temeroso de que não participe da Copa. "Precisa mudar o comportamento e acertar a vida fora de campo. Desse jeito, está caminhando para uma não-convocação", avaliou. "Tem grande potencial, mas, se não se motivar com uma Copa do Mundo, nada mais poderá motivá-lo."

Parreira aproveitou a entrevista na Granja Comary, onde está com a seleção sul-africana, para responder às críticas que Teixeira e Dunga costumam fazer sobre a preparação feita pelo Brasil para o Mundial de 2006, na Alemanha, competição na qual era o técnico. "Foi um trabalho de três anos e meio e as pessoas só falam que teve algo errado de 22 de maio (data da apresentação) até o início da Copa. E antes? Não estava tudo certo? Ganhamos a Copa América e a Copa das Confederações. Houve alguma crítica?", questionou. "Falar depois é fácil. Houve sim na reta final coisas que fugiram do nosso controle. Mas a preparação foi de três anos e meio."

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