Cesar Maia prevê que fim de embargo 'desmancha' regime cubano

O prefeito do Rio de Janeiro, CesarMaia, do conservador Democratas, acredita que, após a renúnciaao poder de Fidel Castro nesta terça-feira, o fim do embargoeconômico que os Estados Unidos impõem a Cuba implodiria oregime socialista cubano. "Saí de Cuba com a nítida impressão que o bloqueio idiotaque os Estados Unidos fazem só interessa a Cuba. A abertura dobloqueio econômico desmancha o regime autoritário em menos dedois anos. Foi minha sensação", disse o prefeito por email àReuters. Ele se referia a uma visita ao país em 2004, quandoparticipou das festividades do aniversário de Havana. CesarMaia afirmou ainda que era possível perceber uma disputainterna entre o irmão de Fidel, Raúl Castro, seu provávelsubstituto a partir de semana que vem, e o ministro daeconomia, José Luiz Rodriguez, o mesmo até hoje. "Havia uma luta iniciada pelo poder entre o jovem 'primeiroministro da economia' e o irmão de Fidel Castro. Nem tão surda.Creio que vai se intensificar", previu. O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), crê que opresidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter participação noprocesso de abertura de Cuba. "É o fim de um ciclo marcado por pontos altos e pontosbaixos de atuação tanto no plano doméstico quanto nointernacional. Espero que Cuba saiba aproveitar o momento paravoltar a se inserir no plano internacional", disse Agripino. "Lula, como amigo de Fidel e de Cuba, deve ajudar nessareinserção. Deve exercer interlocução de Cuba com os EstadosUnidos e a União Européia para acabar com o bloqueio,obedecidas as regras da boa convivência democrática, leia-se orespeito aos direitos humanos", completou. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia(PT-SP), preferiu mencionar, de forma indireta, uma das famosasfrases de Fidel, "A História me absolverá". "É uma mudança profunda. Ele sempre foi uma figura centralpós-revolução e continuará sendo. Ele está produzindo atransição em vida. Eu acho que todos os que dirigem umarevolução permanecem na história e serão julgados pelahistória", afirmou. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) espera que este seja ocomeço da abertura da ilha, tanto política como econômica.Suplicy acredita que há sinais de que o próprio Fidel almeja ofim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e também uma maiorinteração com o governo norte-americano. "Acho que Fidel Castro poderia dar, mesmo que afastado,alguns sinais positivos para uma abertura, inclusive para umaabertura política, para que a democracia possa florescer maisfortemente", disse o senador. (Reportagem de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto)

REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 19h56

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