Cesp pagará dívida e prepara PDV; aguarda definição para Três Irmãos

A Cesp vai pagar dívidas que vencem em 2013 e prepara programa de demissão voluntária, enquanto aguarda mais detalhes sobre o futuro da concessão da hidrelétrica de Três Irmãos.

Reuters

27 de março de 2013 | 14h13

A geradora de energia controlada pelo governo de São Paulo ainda está operando a hidrelétrica Três Irmãos, cuja concessão venceu ao final de 2011 e não foi renovada, enquanto aguarda definições sobre a retomada do ativo pelo governo.

Desde 5 de março, quando foi fixada a garantia assegurada da usina em 217,5 megawatts médios (MW médios), a Cesp busca não vender a energia dessa usina no mercado. Isso porque o governo está definindo como ocorrerá a distribuição dessa energia às concessionárias em cotas, dentro da lei da renovação das concessões, que levou a descontos na conta de energia.

"A atividade de operação e manutenção na usina não se alterou. Mas a partir de 5 de março a gente não sabe o que vão nos oferecer (até a licitação da usina)", disse o presidente da Cesp, Mauro Arce, em teleconferência nesta quarta-feira.

A energia assegurada de Três Irmãos era considerada em conjunto com a da hidrelétrica Ilha Solteira, também operada pela Cesp. A separação da energia assegurada das duas usinas era um dos primeiros passos para que um leilão da concessão de Três Irmãos possa ser realizado.

A empresa não descarta participar de um leilão da concessão de Três Irmãos, caso as condições para operar a usina mudem em relação ao que o governo ofereceu na renovação das concessões, segundo Arce. Mas a Cesp continua não concordando com os valores de indenização que o governo disse que irá pagar pelos investimentos não amortizados nas usinas atingidas pela regra de renovação das concessões --Três Irmãos, Jupiá e Ilha Solteira.

A Cesp calcula que tenha a receber cerca de 7 bilhões de reais em indenização por investimentos não amortizados nas usinas, enquanto o governo ofereceu cerca de 1,8 bilhão de reais.

A baixa no valor de ativos no balanço da Cesp pelo fim dos contratos dessas concessões ainda não foi feita. "Não ocorrendo nenhum movimento oficial em relação a Três Irmãos, não haveria motivo para fazer uma baixa. Em princípio, acreditamos que nosso valor contábil é coerente e consistente", disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Almir Martins.

CORTE DE CUSTOS E DÍVIDAS

A Cesp prepara um programa de demissão voluntária como parte dos esforços para cortar custos até julho de 2015, quando os contratos de concessão de Três Irmãos, Jupiá e Ilha Solteira estarão expirados.

Arce disse que o plano está sendo analisado pelo governo, controlador da empresa, e que a expectativa é que a aprovação saia até 31 de julho.

"Temos um número grande de funcionários já com direito a aposentadoria", acrescentou Arce.

Em 2013, a Cesp investirá apenas na manutenção e operação das usinas e também pretende pagar as dívidas de 1,07 bilhão de reais que vencem no ano, usando a geração de caixa.

Segundo o diretor financeiro, a empresa espera que a geração de caixa ao longo do ano fique acima de 2 bilhões de reais.

ENERGIA DISPONÍVEL

A Cesp tem 200 MW médios de energia disponível para comercialização ao longo de 2013, ante cerca de 600 MW médios para esse período ao final do ano passado.

"Fizemos umas vendas em janeiro", disse o diretor de Geração da Cesp, Mituo Hirota.

Ele detalhou que a empresa alocou maior quantidade de energia para venda em janeiro, no processo de sazonalização, e que as sobras diminuíram em relação ao informado anteriormente.

A sazonalização consiste num mecanismo em que as geradoras distribuem ao longo do ano como vão disponibilizar o lastro de sua geração.

A Cesp é uma das empresas que, segundo fontes, tiveram os maiores ganhos com a estratégia de sazonalização de energia feita em janeiro, aproveitando de preços mais altos de curto prazo. Essa sazonalização é permitida de acordo com as regras vigentes.

(Por Anna Flávia Rochas; )

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