CFM critica residência nos 2 anos finais da graduação

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital, criticou nesta quarta-feira, 31, proposta do governo de transformar em residência os dois anos finais de graduação dos cursos de medicina. Na Medida Provisória 621, que trata do programa Mais Médicos, o governo federal propôs que o curso de medicina passasse de seis para oito anos, sendo que os dois últimos anos seriam destinados para atuação no serviço público de saúde. Hoje, no entanto, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que o governo havia acatado proposição de uma Comissão de Especialistas para transferir os dois anos a mais para a residência, sempre no âmbito no Sistema Único de Saúde (SUS).

RICARDO DELLA COLETA, Agência Estado

31 de julho de 2013 | 19h05

Vital disse que as propostas do governo e a própria MP são "improvisadas" e que colocam em risco a qualidade da formação dos alunos de medicina no País. "É indispensável a qualidade. Ou seja, residências que tenham a efetiva condição de atender a população. Oferecer a duplicidade dessas vagas (de residência) em cinco anos me causa dúvida", disse o vice-presidente do CFM, referindo-se à promessa do governo de universalizar e tornar obrigatória o acesso à residência médica em 2018.

Ele disse que o País ainda não consegue preencher as 12 mil vagas de residência existentes atualmente. Há apenas 9 mil preenchidas, disse o presidente. Vital alegou também que a atual proposta do governo abre brecha para que a residência se torne um "serviço civil obrigatório disfarçado". "Não posso admitir que essa residência seja feita num posto de saúde com uma supervisão à distância".

Outro ponto amplamente criticado pelo CFM foi o fato de o governo estar tratando do tema por meio de uma Medida Provisória. Vital também se queixou que o Conselho e outras entidades médicas não foram ouvidas pelo Executivo. "Se é um programa para 2018, por que não perder um tempo maior para um planejamento mais adequado? Por que tem que ser algo de tanta urgência e tão improvisado?", queixou-se. O Conselho vai trabalhar no Congresso para que a MP seja derrubada, disse o vice-presidente do CFM.

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