Champanhe para beber o ano inteiro

Um brinde com Maria João de Almeida

O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 01h27

Já visitei a região de Champagne por várias vezes e a última em que lá fui, há dois anos, produtores e organismos oficiais uniam esforços para promover seu famoso vinho para além dos momentos de celebração.

Com a qualidade dos espumantes a aumentar e o consumo de champanhe a diminuir, o que eles defendem desde então é que se beba champanhe todo o ano, não apenas em aniversários, casamentos e fins de ano (ou outras comemorações), mas também às refeições, onde podem ser harmonizados com os mais diversos pratos.

Hoje, os responsáveis pela campanha de promoção do consumo, liderada pelo Comité Interprofessionnel du Vin de Champagne, bem se podem dar por satisfeitos, visto que cada vez mais se bebe desse vinho à mesa. Mesmo assim, espumantes produzidos pelo mundo conquistaram seu lugar ao sol.

A qualidade alcançada, a par com a diversidade dos mesmos, permitiu alargar o âmbito das situações de consumo. Além disso, muitos produtores espalhados pelo mundo perceberam a importância de comunicar os seus produtos, havendo por isso também um maior conhecimento por parte dos consumidores. Por último, o fator preço foi outro importante item para o aumento de consumo de espumantes, já que nesses vinhos há sempre boas opções para todos os bolsos (no champanhe, não será fácil encontrar um barato).

Portugal já há muito produz bons vinhos espumantes. E é da região da Bairrada, onde se são feitos mais da metade dos espumantes portugueses, que nos chegam algumas das melhores propostas, com a Aliança e a Adega Luís Pato a liderar a lista de opções.

E como ambos exportam vinhos para o Brasil, tente encontrar o Aliança Vintage Bruto 2004 (dominado por notas minerais e de tostados e maçãs verdes) ou o Luís Pato Vinha Formal 2008 (com notas de fruta madura e resina), os dois já a pedir comida. Da Bairrada, os espumantes Quinta das Bágeiras Super Reserva 2005 ou o Borga 2006, do produtor Carlos Campolargo, também serão boas sugestões. Mesmo assim, caso não se aventure a comprar topos de gama, qualquer um desses produtores faz espumantes mais baratos e a bom preço para acompanhar refeições menos complexas, podendo também servir de aperitivo.

De outras regiões portuguesas chegam-nos ainda outras sugestões a agradar paladares exigentes. Do Douro, os famosos Vértice; da região das Beiras, os Murganheira (ambos com uma gama completa de espumantes, a vários preços). Do Dão, os conhecidos espumantes de boa relação qualidade/preço da Dão Sul (grupo Global Wines), produtor fortemente representado no Brasil que agora também lançou três espumantes topo de gama: Conde de Santar 2008, Encontro Grande Cuvée 2008 e Cabriz Encruzado 2007. Da Península de Setúbal, ainda o Casa Ermelinda de Freitas Bruto ou, do Alentejo, o Herdade do Esporão Bruto.

Se procurar numa boa garrafeira, certamente encontrará algumas dessas boas referências de Portugal. Há muito por onde escolher. Eu, que sou boa apreciadora de champanhes e outros vinhos espumantes, não me faço de rogada. Não é só em época de festas que os provo ou bebo. Volta e meia, lá estou eu com um copo de espumante na mesa a acompanhar a refeição. Haverá melhor alegria do que celebrar a vida todos os dias? Feliz ano-novo!

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