Chapa ''apartidária'' quer espaço na USP

Alunos de movimento antigreve disputam eleição do DCE

Mariana Mandelli, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

"Cansado da ladainha partidária? Vote por um DCE que funcione." Esse é um dos slogans da chapa Reconquista, a novidade das eleições do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo (DCE-USP). A votação vai de hoje a quinta-feira. A Reconquista se diz um grupo totalmente apartidário. Seus membros são alunos de cursos como Engenharia, Administração e Medicina, estudantes tidos atualmente dentro da USP como "alienados políticos".

A chapa foi criada em setembro e é formada por 24 estudantes de várias unidades da USP, inclusive do interior. Alguns membros vieram da Comissão de Defesa dos Interesses Estudantis (CDIE), grupo também apartidário que se formou neste ano para organizar ações contrárias à greve de 57 dias na instituição.

Entre os protestos, o CDIE realizou flash mobs - atividades rápidas e marcadas pela internet - que ficaram conhecidos como "greve da greve". Foi durante essas manifestações que a maioria dos integrantes da chapa se conheceu e percebeu que tinha as mesmas ideias: eram contrários à radicalização de alguns grupos estudantis da USP.

"Já participei de chapas que eram ligadas a partidos e achava ruim, porque discutiam pautas que não tinham a ver com a universidade", afirma um dos membros da Reconquista, o estudante de Medicina Flávio Taniguchi, de 27 anos. "Há assuntos mais importantes para serem discutidos, como as condições do ensino e da infraestrutura da USP, do que a readmissão de um funcionário", explica, mencionando Claudionor Brandão, demitido em 2008. Sua volta é defendida por grupos estudantis da universidade.

Segundo Flávio, o valor máximo que cada chapa pode usar na sua campanha é de R$ 3 mil. Como o grupo não tem vínculo partidário, paga tudo do próprio bolso. "Vamos fazer uma eleição limpa, sem "caixa dois"."

Para entrar na chapa, cada estudante teve de assinar uma declaração afirmando não ser filiado a nenhum partido. Caso se filie durante a gestão, o aluno é automaticamente desligado do grupo.

Segundo os membros da Reconquista, algumas chapas veem com preconceito a iniciativa. "Ouvimos coisas do tipo "vocês não discutem nada, só são contra a greve"", lembra Hugo Tavares, de 21 anos, aluno de Letras. "Já fomos chamados de "politécnicos antigreve"."

A chapa prega que o movimento estudantil seja independente e autônomo em relação às reivindicações trabalhistas. Os alunos também acreditam que houve motivos para a entrada, durante a greve, da Polícia Militar no câmpus neste ano, o que terminou em conflito. Para eles, houve "excessos" por parte dos manifestantes que fecharam ruas na cidade universitária.

As expectativas para as eleições, segundo membros da Reconquista, são boas. "Temos chance porque o eleitorado que acredita no nosso grupo é a maioria dos estudantes da USP", afirma Flávio. "Mesmo que a gente não ganhe, é uma semente que está sendo plantada." Outras sete chapas disputam a eleições no DCE. A primeira eleição depois da ditadura no diretório estudantil da USP foi em 1976.

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