Chávez ameaça parar de enviar petróleo aos EUA

Medida seria retaliação por 'guerra econômica' movida por multinacional.

Claudia Jardim, BBC

11 de fevereiro de 2008 | 15h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou neste domingo cortar o abastecimento de petróleo aos Estados Unidos se este país continuar com o que qualificou de "guerra econômica" contra a Venezuela.Chávez se referiu ao fato de a petrolífera americana Exxon-Mobil exigir em tribunais internacionais o pagamento de uma compensação após sua saída de um consórcio venezuelano de exploração de petróleo na Faixa do Orinoco (uma região da Venezuela que pode abrigar a maior reserva petrolífera do mundo). A Exxon-Mobil não aceitou as regras dos novos contratos de exploração de petróleo estabelecidos após a nacionalização, que prevêem que a PDVSA (estatal do petróleo venezuelana) fique com a maioria acionária dos projetos de exploração. A disputa teve início nesta sexta-feira, quando a Exxon-Mobil anunciou ter obtido um parecer favorável de tribunais de Grã-Bretanha, Holanda e Antilhas para o congelamento de US$ 12 bilhões em ativos da PDVSA nesses países. O governo venezuelano acusa a petrolífera americana de "terrorismo judicial" e nega o congelamento de seus ativos. "Se vocês nos congelam, se chegam de verdade a congelar (os ativos da PDVSA), se nos fazem mal, nós também vamos lhes fazer mal. Sabem como? Não enviaremos uma só gota de petróleo aos Estados Unidos", disse Chávez. RevoluçãoO presidente venezuelano afirma que a disputa entre as petroleiras estaria vinculada com o interesse dos Estados Unidos em debilitar seu projeto de revolução. "Não se afundará a PDVSA, não se afundará a Venezuela, não se afundará esta revolução", disse Chávez, no sábado. Quatro grandes companhias que operavam no Orinoco antes da nacionalização - a americana Chevron, a britânica British Petroleum, a francesa Total e a norueguesa Statoil - aceitaram as regras dos novos contratos.A Venezuela é o quarto maior fornecedor de petróleo cru ao mercado dos EUA. O presidente venezuelano disse que se a "guerra econômica" contra a Venezuela continuar, o preço do petróleo poderia chegar a US$ 200.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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