Chávez convoca 'patrulheiros' para eleições regionais

Militantes saem às ruas para convencerem eleitores a votarem no pleito de domingo.

Claudia Jardim, BBC

18 Novembro 2008 | 21h39

Na reta final da campanha, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convocou milhares de "patrulheiros" para conquistarem votos nas eleições regionais do próximo domingo. Com referências ao jogo de beisebol e a uma guerra, Chávez explicou qual é a missão de seus simpatizantes no dia das eleições. "Se fizermos o toque de bola que temos que fazer, hora por hora, buscando todos os votantes, convencendo a todos os que não estão convencidos, deixando um papelzinho debaixo (da porta), nós poderíamos ganhar todos os governos estaduais", afirmou Chávez nesta terça-feira diante de dezenas de milhares de "patrulheiros" em um ginásio esportivo em Caracas. Cada "patrulheiro" é um simpatizante do partido do governo que está encarregado de localizar 10 eleitores no bairro onde mora. A tarefa seguinte é convencê-los a ir votar, de preferência, no candidato do governo. "Isso é como uma guerra, cada um é um soldado", disse. O número de "patrulheiros" credenciados não é exato, mas fontes do partido do governo estimam que há centenas de milhares deles. Neste domingo, serão disputados os governos de 23 Estados do país e 328 prefeituras. Segundo pesquisas, nestas eleições o chavismo corre o risco de perder sua atual hegemonia. Tecnologia Chávez, que assumiu a campanha eleitoral regional como se tratasse da disputa à Presidência, inovou nestas eleições para tentar garantir o maior número de votos para seus candidatos. Além da campanha permanente nos canais de TV oficiais, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) disponibilizou um número de telefone para que cada "patrulheiro" envie uma mensagem de texto com seu número de identidade. Logo depois, o partido liga para o militante para saber se os dez eleitores pelos quais ele é responsável já foram identificados, o que permite saber qual a tendência de cada uma dos votantes. Dessa maneira, o PSUV pretende contabilizar de maneira antecipada o número de votos favoráveis aos candidatos do governo e mobilizar os eleitores chavistas a participarem das eleições. Chávez em pessoa estaria participando do sistema. O presidente venezuelano afirmou que ele e sua equipe já fizeram mais de mil ligações para localizar antigos "patrulheiros", que participaram em eleições anteriores, e novos integrantes dos "batalhões" eleitorais. Pressão Nas últimas semanas, Chávez personalizou a campanha eleitoral de governadores e prefeitos em uma tentativa de frear o crescimento da oposição à frente dos governos regionais. Os governistas temem que a oposição possa sair beneficiada pelo "voto castigo" de chavistas descontentes com a atual administração local. O presidente radicalizou o tom de seus discursos e ameaçou colocar seus adversários na cadeia, acusando-os de corrupção à frente dos governos regionais. No domingo, o presidente venezuelano convocou os eleitores chavistas a votarem logo cedo e permanecerem nas ruas como meio de pressionar a oposição, que, de acordo com Chávez, está pensando em "fraude" e temendo uma derrota. "Povo na rua depois de votar, por isso tem que votar cedo (...) porque essa gente está cantando fraude, desesperados. Disseram que eles respeitarão o resultado do Conselho Nacional Eleitoral sempre e quando acharem adequados. Até quando vão continuar com isso?", disse. Chávez pediu que a oposição respeite as instituições do país e advertiu que "povo na rua com as Forças Armadas são a garantia de que se respeitem os resultados das eleições". Na semana passada, pesquisas de opinião mostravam que a oposição poderia conquistar entre 6 e 8 governos estaduais. Na reta final, porém, a participação de Chávez pode ter mudado a tendência e a disputa voltou a se acirrar. Canais "fora do ar" Chávez voltou a ordenar a retirada do ar de maneira "imediata" de qualquer canal de rádio e televisão que antecipe os resultados do pleito. "Aquelas estações de rádio que anunciarem resultados ou sugerirem resultados, ouçam bem as instruções que estou dando, imediatamente devem sair do ar e retiraremos a concessão para transmitir". "Não estou brincando, a impunidade tem que acabar aqui", acrescentou. Para evitar que o cenário do referendo do ano passado se repita, quando mais de 3 milhões de chavistas não votaram pela reforma constitucional, Chávez tem optado pela chantagem do tudo ou nada. "Se é chavista, está com Chávez, se não, está contra Chávez. Os que traem a Chávez não traem a mim e sim ao povo", afirmou o presidente venezuelano. No último ano, quatro governadores do partido Podemos romperam com a base aliada do governo, reduzindo o controle do chavismo de 21 para 17 estados do país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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