Chávez perde capital e 5 Estados em eleição na Venezuela

Oposição avançou, mas governo mantém controle em 17 Estados.

Claudia Jardim, BBC

24 Novembro 2008 | 15h27

O partido do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, perdeu o controle sobre o governo da capital do país, Caracas, e de cinco Estados nas eleições regionais realizadas neste domingo. A oposição venceu as eleições para governador nos Estados de Miranda (onde está a capital, Caracas), Carabobo, Táchira, Nova Esparta e Zulia - sendo que os dois últimos já eram governados por antichavistas antes do pleito. O governo, porém, manterá o controle da maioria (17) dos 22 Estados em disputa. A surpresa desta jornada eleitoral foi na prefeitura metropolitana de Caracas, o segundo posto mais importante do país, depois da Presidência. Essa prefeitura é semelhante ao que seria o governo de um Estado no Brasil, já que engloba cinco municípios da grande Caracas, mas não a capital venezuelana em si. Antonio Ledezma, um velho líder opositor, venceu com 52,45% dos votos o candidato chavista Aristóbulo Isturiz, que obteve 44,92% dos votos. Em cada um dos municípios da prefeitura metropolitana também houve eleições para prefeito. No caso, a oposição ficou com cinco dos quatro municípios em disputa, entre eles o município de Sucre, o mais populoso da região metropolitana, que abriga a favela de Petare, a maior do país, com quase 1 milhão de habitantes. Plebiscito Os venezuelanos elegeram neste domingo um total de 22 governadores, 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais. Durante a campanha, Chávez indicou que considerava a eleição um plebiscito sobre seu governo, no qual estaria em jogo o "futuro da revolução". Entretanto, o presidente saiu derrotado em Estados que têm importância política e econômica. No Estado de Miranda, o atual governador chavista, Diosdado Cabello, candidato à reeleição, foi derrotado por Capriles Radonski, atual prefeito do município de Baruta, da região metropolitana de Caracas. Radonski obteve 52,56% dos votos contra 46,64% de Cabello. A oposição continuará no controle do Estado de Zulia com a vitória de Pablo Perez, que venceu com 53,59% dos votos o candidato do governo Gian Carlo Di Martino que obteve 45,02%. A derrota em Zulia mostra que a estratégia de Chávez de radicalizar o discurso na reta final, não teve sucesso. O mandatário chamou o governador do Estado, Manuel Rosales, de "ladrão" e "mafioso" e ameaçou com levá-lo à prisão por corrupção. Os resultados na cidade de Maracaibo, onde Rosales disputava a prefeitura, ainda não foram anunciados, mas Rosales deve ganhar com facilidade, de acordo com pesquisas. Vitória Para Chávez, o pleito foi uma "grande vitória da democracia". "Hoje falou de novo o povo venezuelano, parabéns", afirmou Chávez ao admitir a vitória de seus adversários, logo depois do anúncio oficial do CNE na madrugada desta segunda-feira. Apesar de ter proclamado vitória, o mandatário não saiu à varanda do Palácio de Miraflores, a sede da Presidência, onde costuma comemorar com seus simpatizantes. O mandatário apareceu de surpresa em uma entrevista coletiva do partido do governo, o PSUV. "Oxalá ninguém nunca mais caia na tentação de sair fora do marco da Constituição", afirmou Chávez em referência a seus adversários que apoiaram a tentativa de golpe de Estado de 2002 e que hoje saíram vitoriosos das urnas. Em tom conciliador, ele também pediu que seus adversários respeitem seu governo. "Aos prefeitos que se dedicaram a conspirar, a trazer paramilitares, aos novos governadores (...), eu, como chefe de Estado, reconheço esse triunfo e espero que vocês reconheçam a este governo." Voto castigo Os venezuelanos madrugaram neste domingo para ir às urnas. As longas filas que duraram todo o dia obrigaram alguns centros de votação a permanecer abertos até as 22h (0h30 de Brasília), por determinação do CNE. A legislação venezuelana prevê que as urnas não podem ser fechadas enquanto houver eleitores na fila de votação. De acordo com o CNE, a participação nessas eleições ultrapassou o recorde histórico com mais de 65% do total de 17 milhões de eleitores. No bairro periférico 23 de Enero, um dos redutos chavistas em Caracas, o taxista Rafael Landaeta disse à BBC Brasil estar descontente com a atual administração da cidade e que, pela primeira vez nesses dez anos de governo Chávez, votaria na oposição, que saiu vitoriosa na cidade de Caracas. "Os prefeitos chavistas simplesmente abandonaram esse bairro e se dedicaram à corrupção. Precisamos de mão forte para combater a delinqüência", afirmou. De acordo com o instituto de pesquisas Hinterlaces, a insegurança é a principal preocupação de 79% dos venezuelanos. O taxista disse que continua apoiando o presidente, mas pretende castigar o governo local. "Apoio Chávez por ser o líder desse processo de transformação. O país está melhor e não podemos retroceder, por isso precisamos de mudanças, não podemos ser coniventes com a ineficiência", disse. Chávez admitiu que a derrota em Caracas e Miranda levará seu partido a fazer uma autocrítica, mas disse que a "revolução bolivariana" saiu fortalecida do pleito. "Começa uma nova etapa, essa grande vitória socialista é um sinal muito forte. Chávez continuará pelo mesmo caminho, o caminho do socialismo bolivariano", afirmou. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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