Chávez provoca disputa entre base e oposição

Condenação à falta de democracia e liberdade, no entanto, foi consenso

BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Para rebater as justificativas que o relator Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou à Comissão de Relações Exteriores ao propor o veto à Venezuela no Mercosul, os senadores da base governista ajustaram o discurso aos eleitores brasileiros que reprovam o presidente Hugo Chávez e transformaram suas críticas em ressalvas.

"Ressalvas totalmente inúteis porque não têm nenhum efeito jurídico ou prático", comentou Tasso, ao constatar que vale na votação apenas o "sim" e o "não" às observações críticas ao governo chavista. Tanto os senadores da oposição quanto os representantes da base aliada no colegiado condenaram a falta de democracia e de liberdade na Venezuela.

O argumento mais sincero veio de um conterrâneo de Tasso. "Vamos ter muitos problemas com o Chávez. Ele é maluco", afirmou o senador Flávio Torres (PDT-CE), sob risos do plenário da comissão. "Mas vamos ter mais problemas com a Venezuela se ela não entrar no Mercosul", ponderou.

ISOLAMENTO

Uma das alegações mais usadas para justificar o voto favorável à ampliação do bloco foi a que o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, oposição a Chávez, levara à comissão: a Venezuela ficaria ainda mais isolada. Foi na expectativa de que o Mercosul imponha "limites" ao presidente venezuelano que Ladezma pediu à comissão que avalizasse a entrada do país no bloco.

"Estamos aprovando o ingresso da Venezuela. Se fosse o Chávez, teríamos restrições. O Chávez passará", observou o senador Renato Casagrande (PSB-ES). Na opinião do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a não aprovação isolaria ainda mais a Venezuela. "Agora, faço um apelo para que este Natal na Venezuela seja um Natal sem presos políticos", disse.

Uma das surpresas foi o comportamento da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), que anunciou seu voto a favor do ingresso da Venezuela no Mercosul, mas foi embora sem presenciar o início da votação.

EXPLICAÇÃO

A oposição tem sete votos na comissão, que na prática encolhem para seis porque o presidente Eduardo Azeredo (PSDB-MG) só vota em caso de empate. Ontem, os adversários do governo ficaram reduzidos a cinco senadores, já que João Tenório (PSDB-AL) também foi embora antes de votar.

A explicação foi dada pelo senador Inácio Arruda (PC do B-CE). Segundo ele, todos os governadores da região Nordeste, incluindo o tucano Teotônio Vilela (AL), são favoráveis ao ingresso da Venezuela.

Em um voto longo, lido em plenário, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) disse que concordava "plenamente" com os argumentos de Tasso contra o governo Chávez, mas fez uma observação. "Entendo que o ingresso da Venezuela no Mercosul levará o país a assumir compromisso com os princípios de um Estado democrático."

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