Chavistas fazem 1º grande evento pró-reforma constitucional

Passeata em Caracas se segue a outras, contra a reforma, nos últimos dias.

Claudia Jardim, BBC

04 de novembro de 2007 | 17h55

Caracas foi tomada neste domingo por centenas de milhares de manifestantes na primeira grande manifestação que marca o início da campanha do Sim à reforma constitucional proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Vestidos de vermelho, os manifestantes percorreram cerca de 12 km sob forte calor, carregando bandeiras com imagens de Chávez, do líder revolucionário Che Guevara, os dizeres "contra o imperialismo" e a palavra "sim". O trabalhador Asdrubal Martínez, justificou seu apoio à reforma, dizendo à BBC Brasil que "com Chávez, tudo melhorou para nós, os pobres". Martínez acredita que os trabalhadores serão beneficiados com a modificação do artigo que reduz a jornada de trabalho de oito para seis horas diárias. Além da redução da jornada de trabalho, a reforma prevê o fim da autonomia do Banco Central, o aumento da participação popular nas esferas de governo e a proibição do latifúndio, entre outras modificações. A manifestação deste domingo ocorreu após dias de manifestações contrárias à reforma constitucional, que também levaram milhares às ruas de Caracas.Um dos temas mais controvertidos da proposta é o artigo que prevê o fim do limite de número de reeleições de um mesmo candidato a presidente. Para a oposição se trata de uma estratégia de Chávez "para concentrar (o poder) e se perpetuar no poder". Para os simpatizantes do governo é a oportunidade de dar continuidade à chamada revolução bolivariana, que, de acordo com o governo, deverá assumir um caráter socialista se aprovada a reforma. Vestida de Chapeuzinho Vermelho, como ficou conhecida, Marlene Vanegas, uma chavista de mais de 70 anos com as sobrancelhas pintadas de vermelho, disse que não entende a polêmica. "Na Espanha, na Inglaterra, eles têm rei, rainha e ninguém se opõe, não podem votar neles. Aqui não. Vamos às urnas e se o povo decide que Chávez tem que ir-se (da Presidência), ele vai. Só que se ele for, eu vou com ele", brinca.A modificação ou não da Carta Magna será definida em referendo de 2 de dezembro. De acordo com uma pesquisa de opinião do Instituto Datanalisis, o Sim deverá alcançar entre 60% e 65% dos votos no referendo. O instituto diz que o Não poderia ter alguma chance de vitória se toda a oposição participar do referendo e parte dos simpatizantes do governo se abstenham. A divisão entre os grupos de oposição tem marcado a campanha do Não. Um grupo convoca a votar pelo Não à reforma, outro aposta no boicote. Nesta quinta-feira, os partidos Primeiro Justiça e Um Novo Tempo se uniram a uma manifestação de convocada por setores do movimento estudantil contra as modificações constitucionais, pedindo que o referendo seja adiado para fevereiro de 2008. Por outro lado, partidos políticos tradicionais como o Ação Democrática e o Copei (social-cristão) convocam a oposição a não participar do referendo em 2 de dezembro. Este grupo reuniu dezenas de milhares pessoas neste sábado em uma concentração em Caracas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.