Check-up padrão não traz benefício, sugere estudo

Check-ups padronizados, que se limitam a seguir uma lista de exames preestabelecidos, podem não trazer benefício algum. Um levantamento feito pela Colaboração Cochrane - organização internacional especializada em revisar estudos da área médica - chegou à conclusão de que esse tipo de procedimento não reduz a mortalidade de modo geral nem a mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer, duas das condições que mais se beneficiam com o diagnóstico precoce.

MARIANA LENHARO, Agência Estado

20 de outubro de 2012 | 09h01

A revisão levou em conta 14 estudos que envolveram, no total, 182.880 participantes. Cada pesquisa avaliou dois grupos de voluntários: um que foi submetido a check-ups periódicos e outro que se limitou a receber atendimento médico padrão. "Levando em conta o grande número de participantes, além do longo período de seguimento, e considerando que a mortalidade cardiovascular e por câncer não foi reduzida em relação ao grupo controle, check-ups padronizados provavelmente não são benéficos", diz o artigo da Cochrane.

Consultas e exames preventivos continuam sendo importantes. Mas os pesquisadores sugerem que o procedimento leve em conta as características individuais do paciente - como idade, histórico clínico, histórico familiar de doenças, hábitos de vida -, o que permitiria uma prevenção mais focada e evitaria a indicação de testes desnecessários. No balanço final, alguns exames podem resultar em mais malefícios que benefícios.

Uma possibilidade é que testes indicados inadequadamente diagnostiquem condições que não trariam sintomas ao longo da vida do paciente e cujo tratamento acarretaria efeitos colaterais desnecessários.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Ademir Lopes Junior, concorda com o resultado do levantamento. "Se peço um exame para uma pessoa saudável, espero poder descobrir uma doença que apresente um tratamento. E que, ao fazer esse tratamento precocemente, o paciente seja beneficiado", diz Junior.

Ele dá o seguinte exemplo: se começarem a medir sistematicamente o colesterol de crianças sem fator de risco, provavelmente algumas apresentarão resultados discretamente alterados. Caso recebam tratamento medicamentoso, é bem provável que os efeitos colaterais sejam mais prejudiciais que o colesterol alterado. O artigo da Cochrane também cita "efeitos psicológicos e comportamentais adversos" ligados ao excesso de diagnóstico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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