Chefe da AIEA diz que Irã quer agência 'de mãos atadas'

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Yukiya Amano, acusou na quinta-feira o Irã de tentar deixar a agência de "mãos atadas" e de divulgar informações inverídicas sobre as recentes reuniões com inspetores internacionais em Teerã.

REUTERS

08 Março 2012 | 19h33

O tom excepcionalmente duro dessas críticas indica o grau de exasperação nas relações da agência com o Irã, depois de um relatório de novembro em que a AIEA corroborou suspeitas ocidentais de que o país estaria tentando desenvolver armas nucleares. Teerã nega, dizendo que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.

Funcionários da agência estiveram em janeiro e fevereiro no Irã para tentar dirimir dúvidas sobre o programa nuclear iraniano e obter acesso a uma instalação militar onde há suspeita de testes de explosivos usados no desenvolvimento de ogivas atômicas. Teerã não autorizou a visita.

"Antes das recentes conversas em Teerã, eu esperava que o Irã tivesse reconhecido que sua velha abordagem restritiva não é um caminho para avançar, e que o Irã estava pronto para se envolver conosco na solução de questões pendentes", disse Amano em nota a jornalistas.

"No entanto, no último dia das discussões de fevereiro, o Irã reverteu à velha abordagem e tentou reimpor restrições ao nosso trabalho." Ele afirmou que a agência está disposta a manter o diálogo, e espera que o Irã não volte "à velha abordagem restritiva que busca nos deixar de mãos atadas".

O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, apresentou uma versão diferente dos fatos, dizendo em nota ao conselho da agência que a AIEA apresentou um quadro "frustrante" e incompleto sobre as discussões em Teerã.

Falando a jornalistas numa pausa das deliberações do conselho da AIEA, que passará uma semana reunido, Amano disse ter informado os delegados de que "declarações feitas pelo Irã sobre as discussões com a agência continham informações que não são factualmente corretas". "Isso é lamentável", acrescentou o japonês.

Amano possivelmente se referia à informação dada pelo Irã sobre um acordo pelo qual a solicitação da visita à instalação militar de Parchin ficaria suspensa até depois da atual reunião do conselho da AIEA.

A imprensa iraniana noticiou nesta semana que o governo poderia autorizar a inspeção em Parchin, a sudeste de Teerã. Amano disse não ter recebido nenhum comunicado oficial a respeito.

"A agência deve ser capaz de realizar desimpedida o seu trabalho de verificação. Se muitas restrições forem impostas à agência, não podemos fazer nosso trabalho adequadamente", disse Amano.

(Reportagem de Fredrik Dahl)

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