Chefe de polícia londrina teve próprio telefone grampeado

Um chefe sênior da polícia britânica, interrogado no Parlamento sobre um escândalo de grampeamento de telefones que levou ao fechamento de um jornal importante, disse na terça-feira acreditar que ele próprio foi vítima de grampeamento telefônico.

MICHAEL HOLDEN E WILLIAM MACLEAN, REUTERS

12 de julho de 2011 | 12h34

John Yates, comissário-assistente da Polícia Metropolitana de Londres, disse que é inevitável que alguns policiais sejam corruptos, mas negou terminantemente que tenha recebido pagamentos ilegais de jornais.

"Pelos métodos que eu sei que foram usados e o impacto que isso tem sobre o telefone da pessoa, sobre sua senha, tenho 99 por cento de certeza de que meu telefone foi grampeado no período de até 2005/06", disse Yates em uma audiência parlamentar sobre o grampeamento de telefones por parte do jornal News of the World, parte do grupo de mídia News Corp.

O escândalo de grampeamento de telefones incluiu de celebridades a vítimas de crimes, lançando uma sombra sobre as operações do News Corp. e levantando perguntas sobre vínculos entre repórteres e policiais, alguns dos quais parecem ter fornecido números de telefone confidenciais a determinadas pessoas que trabalhavam para alguns jornais.

Yates foi criticado por ter concluído em 2009 que não havia evidências suficientes para reabrir a investigação original da polícia londrina sobre o grampeamento telefônico cometido pelo News of the World, em meio a queixas de que a investigação original não havia se aprofundado o suficiente.

Yates disse que não tinha ideia de quem teria interceptado seu telefone e que os registros a esse respeito não existem mais.

Na época, ele comandava um inquérito que investigava alegações de que o partido Trabalhista, então no governo, estaria recebendo dinheiro em troca de vagas na Câmara dos Lordes, cujos integrantes não são eleitos. O inquérito não foi seguido por acusações criminais.

Indagado se alguma vez recebeu pagamentos de jornalistas, Yates disse: "Essa é uma pergunta estarrecedora. Eu nunca, nunca, jamais recebi qualquer pagamento desse tipo."

Ele disse, contudo, que a corrupção na Polícia Metropolitana é inevitável.

"Somos uma organização de 50 mil pessoas, e desde sempre dissemos que algumas dessas 50 mil pessoas serão corruptas e aceitarão pagamentos", disse ele.

Yates também disse que nunca foi procurado pelo News International em torno de sua vida particular, nem foi sujeito a qualquer pressão desse tipo por parte do grupo de jornais.

O jornal norte-americano The New York Times publicou na segunda-feira que cinco experientes detetives britânicos descobriram que seus telefones tinham sido grampeados pouco depois de a polícia ter aberto uma investigação sobre o News of the World em 2006.

Andy Hayman, ex-policial que foi o investigador-chefe no inquérito inicial sobre o grampeamento, disse que não fazia ideia se seu próprio telefone foi grampeado.

"Eu não sei. Realmente não sei, e, se fui grampeado, assim seja. Não tenho nada a esconder. Como costumo dizer, encontrarão minha lista de compras e meus escores de golfe."

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