Chefes do tráfico presos em Catanduvas fazem greve de fome

Os líderes do movimento reivindicam o retorno para as suas cidades de origem; maioria é do Rio de Janeiro

MIGUEL PORTELA, Agencia Estado

13 de novembro de 2007 | 16h46

Os presos da Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) iniciaram na segunda-feira, 12, uma greve de fome por tempo indeterminado. Eles reivindicam desde mudanças na rotina de visitas até o retorno para as suas cidades de origem. O movimento estaria sendo liderado por detentos do Rio de Janeiro, entre eles os chefes do Comando Vermelho Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. Parte das visitas de quarta e quinta-feira foi suspensa.A greve de fome foi confirmada oficialmente pela assessoria de imprensa do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculado ao Ministério da Justiça. A decisão dos internos se tornou pública depois da divulgação de uma carta anônima pela imprensa de Cascavel. Pelo menos a metade dos 160 detentos está sem se alimentar desde o café da manhã de ontem e apenas ingere água.Os presos denunciam uma série de irregularidades que estariam ocorrendo dentro da unidade, inaugurada em 23 de junho de 2006, e abriga chefões do crime organizado de diversos Estados. As reclamações incluem a má qualidade da alimentação, o abuso por parte dos agentes penitenciários e até o extravio de correspondências. Eles ainda pedem o retorno para as suas regiões de origem e a presença da Pastoral Carcerária e da Comissão de Direitos Humanos no atendimento aos internos.TransferênciaOs pedidos mais insistentes de transferência partem dos 12 chefões do tráfico de drogas do Rio de Janeiro confinados em Catanduvas. O grupo veio transferido em dezembro de 2006, acusado de ter ordenado uma série de ataques no Rio de Janeiro, provocando a morte de 24 pessoas no fim do ano passado. A Justiça nega o retorno deles ao Rio.A assessoria de imprensa do Depen informou que a reivindicação de transferência dos presos não depende do órgão, mas de autorização da Justiça. O Depen informou ainda que as reclamações em relação à comida servida aos internos não se justificam, "uma vez que as três refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar) são receitadas por uma nutricionista e também testadas pelos próprios agentes penitenciários".De acordo com o Depen, a greve de fome está sendo acompanhada pelo serviço médico da penitenciária. O representante da Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Cascavel, para Assuntos Penitenciários, Cléber Evangelista, disse que a entidade estuda a possibilidade de enviar uma missão para Catanduvas para averiguar o movimento dos presos. A visita seria surpresa, uma vez que em missões anteriores o presídio foi "preparado" para receber os visitantes. Para Evangelista, as reivindicações dos criminosos são legítimas e previstas em lei.

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