Chefões do crime farão bolas de futebol em Catanduvas

Presos vão receber R$ 2,70 por bola produzida e cada três dias de trabalho vão reduzir um de pena

Miguel Portela, do Estadão,

08 de novembro de 2007 | 12h52

Chefões do crime organizado presos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, vão produzir bolas de futebol e de vôlei para as escolas públicas. Todos são presos de alta periculosidade e a iniciativa faz parte de um convênio entre os Ministérios do Esporte e da Justiça através do Depen (Departamento Penitenciário Nacional).  Na unidade paranaense estão recolhidos presos de alta periculosidade e os chefões do crime organizado no País. Entre os detentos estão Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, chefões do tráfico de droga no Rio de Janeiro, e o chileno Maurício Hérnandez Norambuena.  A primeira etapa do programa "Pintando a Liberdade" iniciada na quarta-feira, 7, inaugura a fase de atividades sociais no presídio federal, que entrou em operação em 23 de junho do 2006. A direção do presídio escolheu 20 dos 160 presos para a produção inicial de bolas. A meta é confeccionar 200 unidades este mês. De acordo com o Depen, a matéria-prima é oriunda de uma empresa da Bahia e os presos vão costurar o material. O programa "Pintando a Liberdade" existe desde 1997 e proporciona a detentos de todo o País uma ocupação e um salário com a confecção de materiais esportivos - cada preso vai ganhar R$ 2,70 por bola produzida em Catanduvas. Outro benefício é a remissão da pena, ou seja, para cada três dias de trabalho um dia a menos na pena. "O objetivo do programa é diminuir a ociosidade no presídio. O preso fica muito tempo recolhido na cela. Isso causa problema de comportamento", afirma Wilson Salles Damázio, diretor do sistema penitenciário federal que participou ontem (9) do lançamento do programa em Catanduvas. Dois instrutores do Ministério do Esporte permanecerão um mês na unidade para ensinar o ofício para os 20 detentos. A produção de bolas será feita em uma área isolada com monitoração do sistema de segurança do presídio. Os instrutores ficarão separados por uma grade, para evitar o contato. "O programa dará início a uma série de projetos de ressocialização que chegarão às unidades federais", disse Damázio. A intenção do Depen, para 2008, é ampliar a atividade para todos os presos de Catanduvas e para a Penitenciária Federal de Campo Grande, inaugurada em dezembro de 2006.

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