Chega a 10 número de mortos em naufrágio no AM

Pelo menos dez pessoas, entre elas quatro crianças entre 5 e 8 anos, morreram num naufrágio no Rio Amazonas, depois de o barco regional Almirante Monteiro, transportando cerca de 110 passageiros, ter, supostamente, se chocado com uma balsa na madrugada de hoje. De oito a 12 pessoas estariam desaparecidas, mas as buscas realizadas por um helicóptero Black Hawk, do Exército, seis mergulhadores da Marinha e oito do Corpo de Bombeiros foram interrompidas no início da noite de hoje por causa da correnteza forte, da chuva e da escuridão e devem ser retomadas amanhã pela manhã.A Capitania dos Portos do Estado do Amazonas calcula que os 92 sobreviventes tiveram de nadar cerca de 90 metros até chegar à margem do rio, na comunidade Novo Remanso, em Itacoatiara, a 250 quilômetros por terra até Manaus e cerca de 170 quilômetros de barco. Naquele trecho do rio, a profundidade é superior a 25 metros.Os sobreviventes relataram aos bombeiros que um barco da Polícia Civil que passava pelo local ajudou nos resgates, mas boa parte das pessoas conseguiu nadar até a margem. Os sobreviventes seguiram em dois ônibus da Polícia Militar (PM) para um ginásio de esportes na capital amazonense, onde estava prevista uma triagem no início da noite. De lá, segundo a assessoria da Secretaria de Ação Social (Seas), serão providenciados alojamentos ou transportes para as casas, hotéis ou residências de parentes ou amigos. Dos sobreviventes, quatro confirmaram que vinham para a capital e seguiriam a Porto Velho ainda hoje. A Seas deverá dispor de passagens para essas pessoas, que, como os outros sobreviventes, não conseguiram resgatar documentos ou qualquer bagagem. De acordo com a assessoria da Defesa Civil Estadual, os dez corpos foram postos num barco com frigorífico e deveriam chegar ao início da noite a Manaus para serem identificados no Instituto Médico Legal (IML).CoronelSegundo o coronel do Corpo de Bombeiros Antônio Dias dos Santos, o comandante do barco, Raimundo Loureiro, disse que estaria transportando 110 passageiros e teria capacidade para 165. "É um hábito comum dos barcos regionais sair da origem e ir pegando outros passageiros durante o trajeto até o destino, o que dificulta dizer, exatamente, quantas pessoas estavam a bordo e quantas estariam desaparecidas", afirmou Santos.Loureiro disse ainda ao coronel do Corpo de Bombeiros ter partido de Alenquer (PA) com 70 passageiros e 12 tripulantes. Se os corpos foram de pessoas que embarcaram na origem, segundo Santos, a identificação facilita por causa do nome na lista, o que não ocorrerá se forem pessoas que entraram na embarcação ao longo do trajeto. O comandante do barco regional Almirante Monteiro calcula que cerca de 110 pessoas estariam a bordo no momento da colisão. O comandante do barco que empurrava a balsa e seria o responsável pelo choque teria fugido do local sem prestar socorro. Nenhuma balsa foi localizada nas imediações do acidente. Os sobreviventes relataram aos bombeiros que ouviram um barulho de batida e que o barco não estava lotado.O Almirante Monteiro é inscrito na Capitania dos Portos do Estado para ser usada para transporte de passageiros e de carga. A lotação máxima é de 165 passageiros. Na última inspeção, feita em dezembro, o estado geral do barco e os coletes salva-vidas eram bons, segundo a Capitania dos Portos.EmbarcaçãoA embarcação segue o modelo típico dos barcos regionais: tinha 28,5 metros de comprimento, toda em madeira e de dois andares. Os passageiros optam por dormir em camarotes ou redes no pátio do barco. Dos corpos resgatados, dois, o de uma mulher e o de uma das crianças, estavam num dos compartimentos e foram trazidos à tona pelos mergulhadores do resgate.

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