Cheirinho de greve no ar

O conceito de "notícia enguiçada", como ensinam as escolas de jornalismo, tem nas greves da USP um exemplo pedagógico: o movimento é sazonal, sua motivação é variada - e nem sempre bem explicada -, ninguém se entende nas negociações e, de um ano para outro, os erros se repetem sem tirar nem pôr. A falta de higiene e de zelo pelo bem público imperam, nenhuma das partes sai bem do impasse e, quando menos se espera, a crise na universidade volta ao mesmo ponto de partida no noticiário.

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2011 | 00h48

A educação quase nunca é tema de debate. Essa semana, por exemplo, os alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas resolveram apoiar a greve do pessoal terceirizado da limpeza chutando latas de lixo e espalhando papel higiênico usado pelos corredores do campus. O fedor suspendeu as aulas e invadiu a reitoria, que seria de qualquer forma desativada no dia seguinte, depois que 40 de seus funcionários decidiram em assembleia bloquear os acessos ao ambiente malcheiroso para abrir nova frente de protesto, contra a transferência temporária de servidores por causa da reforma da Cidade Universitária.

Seguindo o script de anos anteriores, nas próximas semanas a imundície e a truculência recíproca devem ser a tônica da falta de diálogo entre a administração pública incapaz e a desorganização coletiva de alunos e funcionários. Não me perguntem por que, mas quanto mais sujo e revirado tudo estiver quando a polícia chegar, melhor! Depois tem a gritaria de praxe, a "greve da greve" e, enfim, as férias de julho devem nos poupar por um tempo do esforço de tentar entender pela leitura dos jornais que diabos está acontecendo na maior universidade pública do País.

Um dia, espera-se, a civilidade do chão de fábrica chegará à mesa de negociações do mundo acadêmico. Até lá, a galera podia ao menos tentar fazer um movimento mais limpinho, né não?

Juiz é humano

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, fica "perplexo" com essa ideia maluca de querer fixar horário de funcionamento dos tribunais brasileiros para atendimento ao público. Todo mundo sabe que sentimento é esse quando acorda cedo segunda-feira pra trabalhar. Devia ser proibido!

Humala-lá!

Tudo está saindo rigorosamente conforme o previsto na estratégia de marketing político para transformar o presidenciável Ollanta Humala numa espécie de Lula do Peru: nas redes sociais, parte do eleitorado já chama abertamente o candidato de "analfabeto". Ou seja, já ganhou!

Fenômeno colateral

Cardiologistas de Cristina Kirchner estão preocupados! A pressão da presidente baixa toda vez que sua popularidade sobe. Na terça-feira, ela precisou cancelar todos os compromissos de sua agenda para se tratar.

Autofagia

O novo papel da oposição pregado por FHC quase acaba com ela. Ninguém no PSDB, no DEM e no PPS se entende sobre o que o ex-presidente quis dizer exatamente.

Eu, hein!

A Duloren está iniciando campanha de lingerie em defesa do direito das mulheres ao orgasmo. Como se elas precisassem de calcinha pra isso.

Conhecimentos gerais

A onda de protestos que cobre parte da África deixa para o resto do mundo o legado de uma aula de geografia no noticiário. Até dia desses, muita gente boa nem sabia da existência de uma monarquia absolutista chamada Suazilândia.

Ô, raça!

O brasileiro reclama de barriga cheia de sua Câmara dos Deputados. A da Itália acaba de aprovar lei que pode livrar Silvio Berlusconi de metade dos escândalos em julgamento envolvendo o nome do primeiro-ministro.

Ideia fixa

Depois do implante de topete, Eike Batista está deixando a barba crescer. É projeto do bilionário ter mais pelos que o Tony Ramos.

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