Chile aposta em mercado brasileiro para crescer

País se tornou principal investidor direto da América do Sul no Brasil.

Marcia Carmo, BBC

13 de novembro de 2012 | 06h00

O Chile é hoje o principal investidor direto da América do Sul no Brasil, segundo dados do Banco Central do Brasil e da Direção-Geral de Relações Econômicas Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Chile (DIRECON).

De acordo com números de setembro do Banco Central, o Chile ocupa a sexta posição entre os países com maior ingresso bruto de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil, respondendo por 3,9% do fluxo total.

Apesar de a taxa de participação do país ser ainda pequena quando comparada com a de economias como China ou Estados Unidos, o Chile supera parceiros comerciais mais conhecidos do Brasil na região, como a Argentina.

"Há dez anos, o Chile não figurava entre os 25 maiores investidores diretos no Brasil, e o fluxo bruto não tinha sido superior a 0,1% do total", afirmou em nota o Banco Central, em Brasília.

Em relação ao estoque (de IED), no fim de 2010, o Chile ocupava a 14ª posição no ranking, de acordo com o Banco Central.

Novo cenário

Essa mudança de patamar do Chile ganhou destaque com os anúncios de fusões e aquisições entre empresas brasileiras e chilenas.

De acordo com dados da DIRECON, os investimentos diretos do Chile estão presentes de Norte a Sul do Brasil, em quinze estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Sergipe, Pará, Rio Grande do Norte, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Pelos levantamentos da embaixada do Brasil em Santiago e da DIRECON, o setor de energia é o principal destino do IED chileno no Brasil, respondendo por quase 35% do total, ou US$ 4,27 bilhões (R$ 8,54 bilhões).

Já o setor industrial representa 33% do IED chileno no Brasil, somando US$ 4,02 bilhões (R$ 8,04 bilhões).

Em março de 2005, por exemplo, o conglomerado chileno Arauco, do ramo de celulose, comprou as empresas LD Forest Products e Placas do Paraná, sediadas em Curitiba, do grupo francês Louis Dreyfus. O valor da operação não foi revelado à época.

Já em 2009, a gigante chilena CMPC adquiriu uma unidade no Rio Grande do Sul da Fibria, empresa resultante da fusão da Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP), por US$ 1,4 bilhão (R$ 2,8 bilhão).

Além de energia e indústria, o Chile também passou a abocanhar maior participação no setor de serviços no Brasil. O segmento já representa 25,4% do IED chileno com US$ 3,4 bilhões, de acordo com a análise da embaixada do Brasil em Santiago.

Nesta área, o grupo Cencosud é o quarto maior proprietário de supermercados no país com as compras do Gbarbosa, em Sergipe, e Prezunic, no Rio de Janeiro, entre outros.

Em junho deste ano, as companhias de aviação comercial LAN, do Chile, e TAM, do Brasil, anunciaram que completaram o processo de fusão, criando a LATAM Airlines Group, que já nasce como a maior aérea da América Latina.

De acordo com os dados da Direcon, o Chile gera 22,8 mil empregos diretos e 15.328 indiretos no Brasil.

Na outra ponta, diante da estabilidade da economia chilena e do acesso ao oceano Pacífico, empresas brasileiras também aumentaram a presença no Chile. A Embaixada do Brasil em Santiago identificou cerca de 70 delas instaladas no Chile, com investimentos estimados em mais de US$ 3,2 bilhões (R$ 6,4 bilhões).

Obstáculos

Apesar do crescente volume de investimentos chilenos no Brasil, um dos principais ministros do governo do presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse à BBC Brasil que esta presença poderia ser muito maior, se o Brasil não fosse "um país difícil". Para ele, falando sob a condição de anonimato, "o Brasil possui um emaranhado de impostos muito complicado. São impostos municipais, estaduais e federais. Muita burocracia", afirmou.

Segundo o ministro, "mudanças de regras", como a limitação do tamanho das terras, podem ser "desestimulantes" para as principais empresas chilenas do setor de celulose que nos últimos meses desembarcaram no território brasileiro.

"O Brasil tem tudo o que os investidores chilenos precisam, mercado grande com imensa quantidade de consumidores, mas a burocracia no Brasil é muito grande. Os investimentos chilenos cresceram e vão continuar crescendo, mas poderiam ser muito maiores", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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